sábado, 31 de outubro de 2009

Registros Inapagáveis

Jacó (ou Israel) teve filhos de suas quatro mulheres (Lia, Raquel, Bila e Zilpa). As duas últimas eram concubinas ou esposas secundárias. O filho mais velho chamava-se Rúben e nasceu de Lia. Pouco depois da morte de Raquel, a familia morou por algum tempo num lugar próximo à torre de Éder. Ali, cerca de 1.800 antes de Cristo, Jacó teve um aborrecimento maior do que a recente viuvez. Ele ficou sabendo que o primogênito o primeiro fruto de seu vigor e o mais orgulhoso e o mais forte de seus doze filhos homens (Gn 49:3) havia se deitado com Bila, mãe de seus irmãos Dã e Naftali (Gn 35:21-22), embora ele tenha feito tudo às escondidas.
Anos mais tarde, quando Rúben já era casado e pai de quatro filhos (Gn 46:8-9), quando a familia toda já tinha 17 anos de residência no Egito (Gn 47:28) e quando Jacó estava com 147 anos, o doloroso adultério de Rúben foi trazido à tona numa reunião de familia, na véspera da morte do patriarca. As três esposas ainda vivas, os doze filhos homens, a filha Diná e os netos de Jacó todos ouviram o discurso acusatório do marido, pai e avô: "[Rúben}, você subiu à cama de seu pai, ao meu leito, e o desonrou" (Gn 49:4). A situação foi bastante constrangedora para todos os presentes, especialmente para Rúben (o faltoso), Lia (mãe do faltoso), Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom, (irmãos do faltoso) e Bila (a faltosa).
O mais impressionante é que o crime de Rúben saiu do âmbito familiar e foi para o grande público. Cerca de 1.300 anos depois do incidente, Esdras ou outro autor dos livros de Crônicas, escritos logo após a libertação dos exilados da Babilônia, no ano 538 a.C., registra o incesto: "{Rúben} de fato era o filho mais velho {de Israel}, mas, por ter desonrado o leito de seu pai, seus direitos de filho mais velho foram dados aos filhos de José" (1Cr 5:1).
Essa passagem biblica no meio de muitas genealogias aparentemente desinteressantes, é muito edificante. O texto mostra que não é possivel esconder para sempre e com absoluta segurança o que se faz em oculto. Mostra também que um pecado pode ser de fato perdoado por Deus, mas isso não significa que ele sai do curriculo e da história do pecador. Moisés foi perdoado, Davi foi perdoado, Pedro foi perdoado. Todavia todo mundo sabe que Moisés matou o egipcio (Êx 2:11-15), que Davi adulterou com Bate-Seba (2Sm 11:1-5) e que Pedro negou três vezes o Senhor Jesus (Mt 26:69-75).
O pecado confessado é riscado da memória divina e a certeza do perdão deve riscá-lo da momória do pecador. Porém, nem sempre o pecado é riscado da memória coletiva, da momória histórica. Os registros são inapagáveis!
(TEXTO EXTRAIDO DA REVISTA ULTIMATO).

Um comentário:

Andreliana Alves disse...

Estou lendo a Biblia diariamente e ao me deparar com o Texto de I Cr.5 li esta observação sobre Ruben mas nao me lembrava do fato. Recorri ao Google e achei seu post, por sinal muito bem pontuado a respeito do assunto. Parabens e que Deus o siga iluminando e usando para elucidar as duvidas com as quais nós, "amantes e sedentos da Palavra", nos deparamos de vez em quando!!!