sábado, 27 de dezembro de 2008

A Sabedoria; Discurso aos Indiferentes

A SABEDORIA: DISCURSO AOS INDIFERENTES
A Sabedoria apregoa pelas ruas, nas praças levanta a voz; grita nas encruzilhadas, e nas portas da cidade anuncia: “Até quando, ingênuos, amareis a ingenuidade, e vós zombadores, vos empenhareis na zombaria; e vós, insensatos, odiareis o conhecimento? Convertei-vos à minha exortação: eis que vos derramarei o meu espirito e vos comunicarei minhas palavras. Porque vos chamei, e recusastes, estendi a mão e não fizestes caso, recusastes os meus conselhos e não aceitastes minha exortação: por isso vou rir da vossa desgraça, vou me divertir quando vos chegar o espanto. Quando vos sobrevier o espanto como tempestade, quando vossa desgraça chegar como um turbilhão, quando cairem sobre vós a angústia e a aflição! Aí vão me chamar, e eu não responderei; vão me procurar e não me encontrarão! Porque odiaram o conhecimento e não escolheram o temor de Iahweh; não aceitaram o meu conselho e recusaram minha exortação; comerão, pois o fruto dos seus erros, ficarão fartos dos seus conselhos! Porque a rebelião de ingênuos os levará à morte, a despreocupação de insensatos acabará com eles; mas quem me escuta viverá tranquilo, seguro e sem temer nenhum mal”. (Pv 1:20-33)

A Oração Perseverante Alcança Sempre a Resposta

A ORAÇÃO PERSEVERANTE ALCANÇA SEMPRE A RESPOSTA
Salmo 40:1-11
INTRODUÇÃO
Davi, ao compor o Salmo 40, tinha em sua alma a gratidão a Deus por tê-lo livrado de uma tribulação comparada a “um lago horrível” e a “um charco de lodo”. A paciência e a perseverança na oração constituem-se numa prova de confiança incondicional na bondade de Deus, no seu amor, no seu cuidado, na sua provisão.
I. A Paciência na Oração
1. A oração faz parte de nossa disciplina pessoal. Ela não pode ser uum mero hábito. Não pode ser uma reza, nem vãs repetições. Davi tinha experiência quanto ao exercicio da oração. “Esperei com paciência no Senhor...” (v.1). No hebraico, a expressão literal é “esperei e esperei” ou “esperando, esperei”. Ele orava sistematicamente três vezes ao dia: pela manhã, ao meio-dia e à tarde (Sl 55:17). Homens e mulheres de oração demonstraram, ao longo da história sagrada, possuir disciplina nesse aspecto. Daniel também orava três vezes ao dia (Dn 6:10). A oração é uma arma poderosa na vida do crente. Disse certo pregador: “Satanás ri da nossa sabedoria, zomba de nossas pregações, mas treme diante de nossas orações”.
2. A oração implica em nossa comunhão com Deus. Orar não é repetir frases decoradas. Orar é conversar com Deus. É chegar “com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça a fim de sermos ajudados em tempo oportuno” (Hb 4:16). Em nossa vida devocional, que inclui a leitura bíblica, o louvor e a oração, esta constitui-se no meio pelo qual entramos em contato com Deus.
II. A Recompensa da Oração Paciente
1. Deus se inclinou para o seu servo (v.1b). Quer dizer que Deus se voltou para Davi, atraído por sua paciente súplica. No Salmo 113:6, o salmista declara: “O Senhor nosso Deus, que habita nas alturas, se curva para ver o que está nos céus e na terra”. É evidente que o Altíssimo não precisa inclinar-se para ver algo, mas, no salmo, o escritor quer dizer que Deus atentou para a sua prece.
2. Deus ouviu o seu clamor. Davi esperou no Senhor. Respostas à oração nem sempre são imediatas. Se assim fosse, muitos crentes poderiam pensar serem merecedores das bênçãos de Deus. No caso em estudo, a resposta ao clamor do salmista teria demorado bastante. Isto, segundo a avaliação do próprio Davi. Mas, para Deus, a resposta foi dada no tempo oportuno.
3. Deus tirou seu servo de uma tribulação tremenda (v.2a). A expressão “tirou-me dum lago horrível, de um charco de lodo” dá idéia da situação angustiante em que Davi se encontrava. Charco de todo, em outra tradução, equivale a “um tremedal de lama”, ou pantanal, em que não há qualquer firmeza: quanto mais a pessoa tenta deslocar-se, mais afunda.
4. Pôs os seus pés sobre uma rocha e firmou-lhe os passos (v.2b). Não foi isto o que Deus fez conosco? Ele nos salvou e nos pôs sobre a Rocha dos Séculos – Jesus. Feliz o homem que tem a sua casa (sua vida) edificada sobre a Rocha (Mt 7:24).
5. Pôs um novo cântico na sua boca (v.3). O versiculo não se refere apenas a uma nova canção composta pelo salmista, mas a uma nova forma de louvor ao Senhor. No hebraico, temos literalmente, “um novo cântico de louvor a Deus”. De fato, na última parte do versículo, o escritor acrescenta: “um hino ao nosso Deus”. Para que isso aconteça, é necessário que atendamos ao que diz Paulo: “...mas enchei-vos do Espirito, falando entre vós com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coraao...” (Ef 5:18:b-19).
III. O Efeito do Louvor a Deus
1. Muitos o verão e temerão ao Senhor (v.3b). Quando um servo de Deus o louva, dando testemunho em gratidão pelos livramentos e bênçãos recebidos, muitas são as pessoas que se despertam para buscar e temer a Deus.
2. Muitos confiarão no Senhor. Diante do testemunhão agradecido e do poderoso livramento que o Senhor concedeu ao seu servo, muitos passaram a confiar em Deus. Os sinais do poder divino são mais necessários hoje do que nos tempos do AT e dos apóstolos.
IV. Um Louvor Profético (vs 4-8).
1. Bem-aventurado o que confia no Senhor (v.4a). No texto em estudo, vemos o salmista afirmar que é bem-aventurado o homem que põe no Senhor a sua confiança.
2. Bem-aventurado o que não respeita os soberbos nem os mentirosos (v.4b). Não sabemos porque o salmista incluiu esta referência no seu louvor. Certamente, teria ele passado pela amarga experiência de ter de lidar com os sobrerbos e mentirosos. Por isso, conclui, afirmando que não é certo dar valor a tais individuos.
3. As maravilhas de Deus são inumeráveis (v.5). Davi passou a exaltar o Senhor, dizendo que suas maravilhas são muitas, e que os pensamentos do Altíssimo não se podem contar. Jó também percebeu que as maravilhas de Deus são incontáveis (Jó 9:10). Da mesma forma, nosso Senhor Jesus Cristo, quando de seu ministério tereno, operou tantas coisas que, se fossem todas escritas, “nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem” (Jo 21:25).
4. A pontando para Cristo (v.6). “Sacrificio e oferta não quiseste; os meus ouvidos abriste; holocausto e expiação pelo pecado não reclamaste”. Apontando para Cristo, o salmo afirma, profeticamente, que os velhos rituais e sacrificios involuntários de animais não seriam suficientes para agradar a Deus. O que conta, para Deus, é o novo concerto, através do sacrificio voluntário de Jesus, conforme Hebreus 10:5-10. O texto do v.6 foi citado literalmente em Hebreus 10:7, mostrando que Cristo cumpriu a vontade de Deus na obra da redenção. (Ver Isaías 53:11).
5. A alegria em fazer a vontade de Deus (v.8). Não adianta louvar a Deus só na aparência ou apenas da boca para fora. Se assim agirmos, nosso louvor jamais chegará aos céus. Devemos fazer a vontade de Deus com alegria, porque a sua vontade é “boa agradável e perfeita” (Rm 12:2).
V. O Tema da pregação que agrada a Deus
Nesstes versículos, o salmista, após reconhecer o livramento de Deus, e louvá-lo de modo solene, passa a enumerar o que constitui os temas de sua pregação.
1. A justiça de Deus (v.9-10a). Há igrejas em que não se fala mais no sangue de Jesus. Fala-se apenas em amor, paz, bondade etc. Entretanto, se o pecador não se convencer de que está diante de um Deus que é amor, mas também justiça, jamais virá a sentir a miséria de seus pecados.
2. A fidelidade de Deus (v.10b). O salmista declara ter apregoado a fidelidade do Senhor. É importante que os ouvintes da Palavra de Deus saibam que Ele é fiel, e que vela pela sua palavra (Jr 1:12b).
3. A salvação de Deus (v.10b). Paulo encarou essa tarefa com tanta responsabilidade, que declarou: “Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim se não anunciar o evangelho” (1Co 9:16).
4. A benignidade de Deus (v.10c). O salmista maravilha-se ante a benignidade do Senhor: “Quão preciosa é, ó Deus, a tua benignidade! E por isso os filhos dos homens se abrigam à sombra das tuas asas” (Sl 36:7). Isso quer dizer que os homens são salvos, não por seus méritos, e sim pela benignidade, ou misericórdia, de Deus.
5. A verdade de Deus (v.10c). A verdade de Deus tem atributos maravilhosos: guia e ensina (Sl 25:5); é pavês e escudo (Sl 91:4). O Espirito Santo é o Espirito da verdade (Jo 14:6; 16:13). A palavra de Deus é a verdade que santifica (Jo 17:17).
VI. Oração de Quem Continua a Esperar em Deus (v.11-17)
1. Rogando pela prontidão divina (v.11). Davi pede a Deus que não detenha para com ele a sua misericórdia, suplicando-lhe que a sua benignidade e verdade guardem-no continuamente. Não parece contrasenso que ele assim ore, quando, no inicio do salmo, demonstra ter esperado pacientemente? Não! Na verdade, isso acontece com os servos de Deus. Embora julguem possuir muita fé, voltam ao vale da realidade para então reconhecerem que precisam sempre mais de Deus.
2. Rodeado de males e inimigos (v.12-14). No inicio do texto, o salmista louva a Deus por tê-lo livrado de “um lago horrível, de um charco de lodo”, referindo-se a uma situação especifíca. No verso 12, revela que continua cheio de problemas, dependendo do socorro divino. No versiculo seguinte (13), roga que o Senhor se apresse em auxiliá-lo. No verso 14, mostra ele que tem inimigos que buscam tirar-lhe a vida, por isso suplica a Deus que sejam estes confundidos. Em nossa vida, também acontece isso. Jesus disse: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16:33b).
Conclusão
Ao fim de sua oração, Davi conforta os que buscam ao Senhor e a sua salvação, exortando-os a professar: “Engrandecido seja o Senhor” (v.16). Finalmente, o salmista declara sua confiança, dizendo que é pobre e necessitado, mas o Senhor cuida dele, como seu auxílio e libertador.
Por isso, precisamos continuar buscando e louvando a Deus, pois somente Ele pode libertar e cuidar dos que nEle confiam.
Questionário
1. Que significa a expressão “ele se inclinou para mim”?
2. No salmo 40, que significa “um novo cântico na minha boca”?
3. Na lição, quais os efeitos do louvor a Deus?
4. De acordo com o texto estudado, como devemos fazer a vontade de Deus?
5. Quais os temas que Davi usou na pregação?
(EXTRAÍDO da “Lições Bíblicas” Jovens e Adultos 3 Trimestre de 1997)

A Mensagem da cruz

A MENSAGEM DA CRUZ
Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus. Pois está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a inteligência dos instruidos. Onde está o sábio? Onde, o escriba? Onde, o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria do mundo? Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação. Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. (2Co 1:18-25)

Carta de Jeremias

CARTA DE JEREMIAS
“Cópia da carta que Jeremias enviou aos que iam ser levados para Babilônia como prisioneiros pelo rei dos babilônios, a fim de lhes dar a conhecer o que lhe fora ordenado por Deus”.
É por causa dos pecados que cometestes diante de Deus que seria levados para Babilônia como prisioneiros por Nabucodonosor, rei dos babilônios. Quando chegardes, pois, a Babilônia, ai estareis por muitos anos e por longo tempo, até sete gerações. Depois disto, porém, vos farei sair de lá em paz. Em Babilônia vereis deuses de prata, ouro e madeira, carregados aos ombros e inspirando temor às nações. Tomai cuidado, portanto, para não procederdes semelhantemente. (Baruc 6:1-4a)

domingo, 21 de dezembro de 2008

Monólogo do Natal

Monólogo do Natal

Não gosto de você Papai Noel.
Também não gosto desse seu papel de vender ilusões à burguesia.
Se os garotos humildes da cidade soubessem do seu ódio à humildade, jogavam pedra nessa fantasia.
Você talvez nem se recorde mais. Cresci depressa, me tornei rapaz, sem esquecer, no entanto, o que passou.
Fiz-lhe um bilhete, pedindo um presente e, à noite inteira, eu esperei contente.
Chegou o sol e você não chegou.
Dias depois, meu pobre pai cansado trouxe um trenzinho feio, empoeirado, que me entregou com certa exitação. Fechou os olhos e balbuciou: "É pra você, Papai Noel mandou". E se esquivou, contendo a emoção.
Alegre e inocente nesse caso, eu pensei que meu bilhete com atraso, chegara às suas mãos, no fim do mês.
Limpei o trem, dei corda, ele partiu dando muitas voltas.
Meu pai me sorriu e me abraçou pela última vez. O resto só eu pude compreender quando cresci e comecei a ver todas as coisas com realidade.
Meu pai chegou um dia e disse, a ledo: "Onde é que está aquele seu brinquedo? Eu vou trocar por outro, na cidade".
Dei-lhe o trenzinho quase a soluçar, e como quem não quer abandonar um mimo que nos deu, quem nos quer bem, disse medroso: "O senhor vai trocar ele? Eu não quero outro brinquedo, eu quero aquele. E por favor, não vá levar meu trem".
Meu pai calou-se e pelo rosto veio descendo um pranto que eu ainda creio, tanto e santo, só Jesus chorou.
Bateu a porta com muito ruído, mamãe gritou; ele não deu ouvidos. Saiu correndo e nunca mais voltou.
Você Papai Noel, me transformou num homem que a infância arruinou. Sem pai e sem brinquedos. Afinal, dos seus presentes, não há um que sobre para a riqueza do menino pobre que sonha o ano inteiro com o Natal.
Meu pobre pai doente, mal vestido, para não me ver assim desiludido, comprou por qualquer preço uma ilusão e, num gesto nobre, humano e decisivo, foi longe pra trazer-me um lenitivo, roubando o trem do filho do patrão.
Pensei que viajara, no entanto, depois de grande, minha mãe, em prantos, contou-me que fôra preso. E como réu, ninguém a absolvê-lo se atrevia. Foi definhando, até que Deus um dia entrou na cela e o libertou pro céu.
(Aldemar Paiva

sábado, 6 de dezembro de 2008

Ovelhas não Pastoreadas

OVELHAS NÃO PASTOREADAS

Maurice Roberts
Se não estamos enganados, há um crescente número de crentes infelizes. Sua infelicidade não resulta de uma natural indiferença ou de um descontentamento temperamental, e sim de sua insatisfação com aquilo que, em suas igrejas, lhes está sendo oferecido sob o nome de adoração e pregação. Sentimos profunda compaixão por esses crentes. Eles merecem atenção especial, e devemos orar com regularidade em seu favor.
Nas últimas décadas, tem existido tantos ventos de doutrina soprando sobre as igrejas, que com justiça podemos dizer: tais vemos de doutrinas atingiram proporções de um tufão. Mas o problema não se limita á doutrina. Estende-se a formas e estilos de adoração pública. Se tem fundamento os rumores que chegam aos nossos ouvidos, parece que metade das igrejas que outrora eram saudaveis e evangélicas entraram em uma segunda infância. Com frequencia, a única qualificação necessaria para que os adoradores recebam aceitação de seus lideres é serem capazes de levantar as mãos e balançarem-nas, assim como as folhas de uma palmeira ao vento, e serem fluentes em falar palavras incompreensiveis. Possuir uma mente capaz de avaliar essas coisas é uma desvantagem positiva, visto que coloca a pessoa que a possui na indesejável posição de compreender quao ridicula e sem proveito é essa situação.
Igrejas em confusão
Devem existir diversos fatores que levaram igrejas evangelicas, no passado grandes e firmes, a decidirem-se por uma adoração infantil. Um desses fatores é a necessidade que muitos sentiram quando ao cuidado pelos jovem. Entre 1960 a 1970 ficou evidente que a geração em crescimento estava se tornando desinteressada em ir às igrejas. Os jovens não eram mais atraidos aos cultos pelos velhos hábitos das gerações anteriores, mas foram envenenados em relação às coisas de Deus por meio da música popular daquela época e por meio da galopante influência da televisão e dos esportes.
Esse fenômeno levou muitos lideres de igrejas evangélicas a se preocuparem intensamente a respeito de sua “imagem” aos olhos dos jovens. Pensava-se que não era mais possivel aos pais crentes disciplinarem seus lares ou preservarem seus filhos incontaminados pelo mundo. A culpa, dizia-se, era da própria igreja, que permanecia “antiquada” e não proporcionava “empolgação” ou “atrativos”. Se os jovens deveriam ser preservados do mundo, novos e mais estimulantes estilos de adoração precisavam ser introduzidos na igreja. Desse modo, o argumento se propagou.
Sem dúvida, esse tipo de raciocinio resultou em uma boa medida de incredulidade. Os lideres, em muitos casos com bons motivos e pressentimentos intimos, cederam aos jovens a maneira de conduzir a adoração na igreja. Pouco a pouco, a confusão se espalhou. Seriedade e ordem, antes sustentadas como virtudes elementares na adoração ao Todo-Poderoso, foram ridicularizadas como arqui-inimigas da adoração espiritual. “Liberdade e espontaneidade” tornaram-se as novas regras da adoração. Afinal de contas, onde está o Espirito do Senhor, ai há liberdade; e não deveria tal liberdade estar disponivel a todos os crentes? Acabemos com os grilhões que prendiam as gerações anteriores! Finalmente, chegara a época da adoração. Homens, mulheres, crianças e jovens, todos deveriam ter liberdade de participarem ativa e audivelmente. Os resultados estão conosco até hoje. Os frutos de uma anarquia geral de adoração são estes: o barulho suplanta a reverência e a superficialidade substitui a maturidade espiritual, enquanto outras coisas menos importantes reduzem o tempo da pregação da Palavra. Como alguém tem dito, o adorador tipico bem poderia deixar em casa a sua cabeça ao vir à igreja, porque essa parte de seu corpo é irrelevante enquanto participa desse tipo de culto.
Grande prejuizo aos verdadeiros crentes
Nosso propósito ao salientar esses males é procurar mostrar quão prejudicial eles são ao verdadeiro rebanho de Cristo. Aqueles que desejam alimentar sua alma e vêm à igreja com interesse podem ficar alarmados e ofendidos diante dessa adoração superficial. Os filhos da graça sabem que Deus é glorioso em santidade. Eles vão à casa do Senhor com reverencia e temor. O Espirito Santo lhes ensina que precisam ter uma atitude sublime e reverente em relação a qualquer coisa e a tudo que se refere à adoração a Deus. Anelam sentir a presença de Deus em seus corações e desejam muito que a verdade de Deus se torne poderosa e clara em suas mentes. Ficam indignados em seus corações, quando vêem outros crentes adorando motivados por coisas irrelevantes, quer na adoração, quer na pregação. Sentem-se tristes, pois sabem que o Espirito do Senhor está sendo entristecido.
Infelizmente, isso é o que está acontecendo em igrejas evangélicas de todas as denominações. Crentes sérios, que seriam capazes de dar a sua vida por Cristo, se lhes fosse exigido, estão sendo levados a sentirem-se mal acolhidos em suas próprias igrejas. Sua espiritualidade é considerada como desajeitada. Grande parte dos crentes maduros na igreja estão sentindo-se isolados por seus companheiros, por não poderem entoar canções festivas que os outros utilizam em nome da “adoração”. Assim, existe uma situação em que o culto é frequentemente um teste de paciência, ao invés de ser um tempo de devoção para o povo de Deus. Os crentes maduros não querem criar problema, mas suas consciências agravadas não podem aprovar as novas músicas, cânticos e hinos, as gesticulações e a nova atmosfera nos lugares onde anteriormente eles e seus pais adoravam a Deus com santo temor.
A espiritualidade em jogo
Sem dúvida, essa não é uma simples questão de época ou de geração. Mais do que isso, é uma questão de espiritualidade, maturidade e conhecimento. Existem crentes velhos que se comportam como crianças. Mas, graças a Deus, também existem crentes novos que tem feito bom uso das Escrituras, de livros evangélicos e confissões de fé ao ponto de serem já crentes firmes e bem instruídos.
Pessoas espirituais vem à igreja para encontrar-se com Deus; não desejam que entretenimento lhes seja oferecido. Aqueles que desejam entretenimento podem obtê-lo a qualquer hora, indo a teatro e lugares de diversão, onde lhes será abundantemente oferecido por pessoas do mundo. Na vida cristã, existe lugar para diversão e alegria saudável e pura. O povo de Deus precisa tempo de sorrir, assim como as outras pessoas. Enquanto eles evitam formas de entretenimento mundanos, não se recusam a ocasionalmente desfrutarem de alegria e despreocupação. Mas o povo de Deus não vai à igreja em busca de divertimento. Não procura entretenimento, tampouco sente-se tranquilo ao encontrá-lo na igreja. Adoração e entretenimento nunca andam juntos; adoração e leviandade jamais caminham lado a lado.
O que está em jogo em tudo isso é aquela preciosa coisa que chamamos espiritualidade. O homem espiritual treme diante da Palavra de Deus e possui um elevado conceito sobre cada aspecto e elemento da adoração a Deus. Ele não apenas exige espiritualidade na pregação; também exige e espera vê-la na leitura da Bíblia, nas orações públicas e na mensagem e tonalidade dos cânticos espirituais. Ele anela contemplar espiritualidade na casa de Deus e tem todo o direito de encontrá-la ali.
Solidão espiritualidade
Não é dificil perceber porque muitos do povo de Cristo hoje são crentes solitários no meio da multidão reunida na igreja. Eles se alegram quando o templo está repleto de pessoas, mas ficam perturbados se percebem que nada existe na igreja, exceto uma multidão barulhenta. Estão propensos a questionar, com admiração, se, afinal de contas, cem adoradores – ou mesmo vinte e cinco – não é preferível a uma multidão irreverente. Isto não deve ser confundido com uma mentalidade de “pequeno rebanho”. No aplaudimos a teoria de que as igrejas devem sempre ser pequenas. Pelo contrário, em nossa opinião elas devem ser grandes. Pensamos que igrejas com mil membros não são grandes demais. Desejamos que nosso pais se encha desse tipo de igrejas.
No entanto, ter muitos membros apenas por amor a números em geral é uma traição a Cristo. A liderança abaixa os padrões de santidade para atrair grande número de pessoas. Em um ponto critico desse processo de diluição, a adoração deixa completamente de ser reconhecida como adoração por aqueles que andam em intimidade com Deus. O número de membros talvez aumente, mas o crente espiritual e solitário, que testemunha esse declinio, receia que o Espirito Santo esteja sendo abafado e Se retraindo. “Icabode” é o verdadeiro nome de tal igreja. É quase impossível acharmos comunhão espiritual. Os poucos crentes realmente santos que restam isolam-se e mantêm-se solitários.
Nenhuma solidão é tão dificil de ser suportada quanto a solidão experimentada em meio a multidões. Quantos crentes percebem essa situação em suas próprias igrejas! São os últimos a falarem sobre isso, porque são pessoas pacientes, dedicadas a oração e longânimes. Não é bom para seus pastores e lideres permitirem que situações como esta permaneçam em suas igrejas. Ao diluirem a adoração, atraíram à igreja multidões inconstantes, e entristeceram o coração dos justos.
Prejuízos resultantes da mudança
Existem prejuízos visiveis resultantes desse tipo de mudança sobre a qual já falamos. Um destes prejuízos é o tratamento cruel demonstrado ocasionalmente à ovelhas fiéis que se recusam a mudar. Devido ao fato que eles não podem, em boa consciência, seguir a debanda geral para “abrilhantar” a adoração a Deus, bons ministros do evangelho tem de abandonar suas igrejas. Não se leva em conta que eles passaram vinte ou trinta anos expondo com fidelidade e devoção a Palavra de Deus aos seus rebanhos. Seu crime é resistirem ao clamor universal por inovações. Portanto, esses homens bons tem de ceder lugar ao menu de aprimoramentos que pastores jovens e líderes fracos insistem em oferecer à igreja.
Outro fruto menos agourento desse novo estilo de vida da igreja é o surgimento, em nossa época, da rejeição da lei de Deus na vida prática. Alguém pode evitar referir-se a isso em detalhes; mas o fato evidente é que os novos membros de igreja tem se revelado menos felizes em resistir à tentação do que os crentes antigos costumavam ser. Sem dúvida houve excesso de severidade na adoração praticada por igrejas do passado. Mas os crentes sentiam-se seguros. Eles não brincavam com a tentação. Não apelavam à carne. As pessoas vinham à casa de Deus com roupas estritamente adequadas e decoro completo. Infelizmente, isso não pode ser dito sobre muitos dos cultos modernos. Uma grande multidão diversificada na casa de Deus abaixa todo o nivel da adoração. Todo pastor sabe que existem prejuízos morais resultantes dessa falta de santidade prática. Não deveria ser assim.
É uma consolação para as ovelhas de Cristo não pastoreadas saberem que nos céus elas tem um Pastor que contempla seu estado. Precisam recordar sua verdadeira posição, retratada pelo Pastor em passagens bíblicas como Ezequiel 34. Estão solitárias por causa da incompetência e inaptidão de seus lideres. Os outros crentes não as amam nem desejam sua companhia, porque são muito espirituais para sua geração. Mas um dia Cristo exigirá de seus pastores negligentes uma explicação para essa negligência. Além disso, o próprio Senhor Jesus tomará para Si mesmo seu povo solitário e desprezado, outorgando-lhes sua graciosa presença, nesta e na vida por vir.
Os crentes solitários de nossos dias devem meditar nessas palavras maravilhosas: “Estou contra os pastores e deles demandarei as minhas ovelhas” (Ez 34:10); “Eis que eu mesmo procurarei as minhas ovelhas e as buscarei” (v.11); “livrá-las-ei de todos os lugares para onde foram espalhadas no dia de nuvens e de escuridão” (v.12); “apascentá-las-ei de bons pastos, e nos altos montes de Israel será a sua pastagem” (v.14). “Eis que julgarei entre ovelhas e ovelhas, entre carneiros e bodes” (v.17); “Eu, o Senhor, lhes serei por Deus, e o meu servo Davi (Cristo) será principe no meio delas; eu, o Senhor, o disse” (v.24).
Com tais promessas, que não desejaria estar sozinho com Cristo por breve tempo nesse mundo?

Oração do Trabalhador

ORAÇÃO DO TRABALHADOR
Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos! Do trabalho de tuas mãos comerás, feliz serás, e tudo te irá bem. Tua esposa, no interior de tua casa, será como a videira frutifera; teus filhos como rebentos da oliveira, à roda da tua mesa. Eis como será abençoado o homem que teme ao SENHOR. O SENHOR te abençoe desde Sião, para que vejas a prosperidade de Jerusalém durante os dias de tua vida, vejas os filhos de teus filhos. Paz sobre Israel! (Salmos 128)