quinta-feira, 21 de abril de 2011

História do Metodismo no Brasil (Parte 09)

A oposição ao trabalho
Não se faz esperar muito a reação contra a obra iniciada pelos metodistas. Já o Rev. Spaulding, em carta de 24 de julho de 1838, se refere a mesma, embora ate então nenhuma pessoa se tivesse convertido a Cristo. O interesse despertado pelas Escrituras, além da distribuição de folhetos, começou a preocupar a alguns católicos fanaticos ou menos esclarecidos, sobretudo entre o clero. Logo surgiu o semanario O Católico com o objetivo de combater a obra missionaria, mas nao tendo sido muito feliz, reapareceu mais tarde sob o titulo de O Católico Fluminense. Todavia, o povo nao lhe deu grande importancia, nem os missionarios perderam tempo em responder as suas diatribes. Os artigos ao inves de granjearem a simpatia do publico, levavam mais gente a querer examinar a Biblia. Assim, o referido jornal cessou de atuar ao termino de poucos meses.
Nesse interim também alguns clérigos resolveram embargar-lhes a semeadura, servindo-se do pulpito, do confessionario e da imprensa. O mais conhecido deles foi o Padre Luis Gonçalves dos Santos (1767 - 1844), apelidado o Perereca, autor das Memórias para a Historia do Reino do Brasil. Em linguagem ferina e, por vezes maldosa, escreveu tres obras verberando a propaganda evangelica que os metodistas vinham efetuando. Foram publicadas em 1837, 1838 e 1839, tendo como titulos, respectivamente: Desagravo do clero e do povo catholico fluminense ou Refutação das mentiras e calúnias de hum impostor que se intitula missionario do Rio de Janeiro; Antidoto Catholico contra o veneno Metodista ou refutação do segundo relatório do Intitulado missionario do Rio de Janeiro; O Catholico e o Methodista, ou refutação das doutrinas heréticas e falsas, que os intitulados missionarios do Rio de Janeiro, Methodistas de New York tem vulgarisado nesta Côrte do Império do Brasil, por meio de huns impressos chamados tracts, com o fim de fazer proselitos para a sua seita; Refutação do texto do tratado dos Methodistas...Esta última saida a lume posteriormente e impressa em Niterói. As demais foram-no pela Imprensa Americana de I.P. da Costa, no Rio de Janeiro. A mais volumosa é a terceira, ou seja O Catholico e o Methodista...que abrange 230 páginas, sem incluir as 27 da introdução. Nela refuta 60 textos colhidos nos folhetos de Spaulding e Kidder, e apresenta nas últimas paginas Provas do Maquiavelismo dos Methodistas, além de um Apendice Curioso dedicado ao nosso missionario do Rio de Janeiro, e companhia.
Dois trechos da mesma servem para demonstrar o impacto causado pelo trabalho dos missionarios metodistas, bem como a virulência do contendor:
"Como é possivel que na Corte do Império da Terra de Santa Cruz, a face do seu imperador, e de todas as autoridades eclesiásticas e seculares, se apresentem homens leigos, casados, com filhos, denominados Missionarios do Rio de Janeiro, enviados de New York, por outros tais como eles, protestantes calvinistas, para pregar Jesus Cristo aos Fluminenses?" E ainda, noutro trecho, aceverava o violento sacerdote:
"Coisa incrivel, mas desgraçadamente certissima, estes intitulados missionarios estao há perto de dois anos entre nós procurando com a atividade dos demônios perverter os católicos, abalando a sua fé, com pregações publicas na sua casa, com escolas semanarias e dominicais, espalhando Biblias truncadas e sem notas, enfim, convidando a uns e a outros para o protestantismo e muito especialmente para abraçar a seita dos metodistas, de todos os protestantes os mais turbulentos, os mais relaxados, fanaticos, hipócritas e ignorantes".
Os livros do Padre Luis Gonçalves dos Santos são hoje desconhecidos, só existindo na secção de obras raras de alguma biblioteca publica ou de bibliófilo, ao passo que a Escritura Sagrada prossegue em sua marcha vitoriosa, cada vez mais lida e mais estimada por milhões de brasileiros. E quanto aos metodistas, considerados tão vilmente, ai esta a historia para julga-los.

A primeira vida ceifada

Ao enaltecermos a obra do Rev. Daniel P. Kidder, devemos levar em conta o apoio e a inspiração que recebeu da jovem esposa, Sra. Cynthia Harris Kidder. Ambos decidiram entregar as vidas ao trabalho de Deus, mas podendo realizá-lo em sua própria nação, vieram para o Brasil. Todavia o Rev. Kidder não se deteve no Rio de Janeiro, pois encarnou como poucos o espirito do itinerante metodista. Durante os dois anos de permanência em nosso Pais, passou viajando grande parte do tempo, e isso exigiu da amável companheira todo desprendimento e compreensão.

Parece que a Sra. Kidder não tinha uma boa constituição fisica. Na travessia para o Brasil ressentiu-se bastante. Depois, o marido, referindo-se a um passeio que fizeram a cavalo pelos arredores da cidade, escreve que D. Cynthia se achava recuperando de recente enfermidade.

E mais tarde, quando tudo já corria bem e o jovem missionario externava seus novos planos a dileta companheira, quase repentinamente a mesma precisou de recolher-se ao leito. Lê-se, a propósito, no "Diário" dele as seguintes anotações:

"Domingo, Abril 5, 1840: Mrs. Kidder não passou bem quanto a saude, de modo que esteve ausente ao culto da noite".

Diversos médicos foram chamados, ao se pressentir a gravidade do mal. Recorreu-se ao que de melhor podia a ciência oferecer na ocasião, na cidade do Rio. O Rev. Kidder desdobrou-se em carinho.

As vigilias prolongaram-se durante noites seguidas. Mas tudo em vão. Só por um milagre a enferma poderia curar-se. Afinal, no dia 16, cerca das 4:00 horas da manhã a sra. Kidder deixou de pertencer a vida presente. O corpo foi removido para a capela do cemiterio dos ingleses, no bairro de Gamboa, e sepultado nessa mesma necrópole as 4:00 da tarde.

O oficio funebre foi dirigido pelo ministro da Igreja Anglicana, estando presente também seu colega da Igreja Alemã, alem de muitos amigos, americanos, ingleses, alemães, franceses, e brasileiros. Sobre o tumulo levantou-se uma laje com o seguinte epitafio: "Sagrada a Memória da Sra. Cynthia Harris, esposa do Rev. Daniel P. Kidder, Missionaria Americana". Faleceu em 16 de Abril de 1840, aos 22 anos e seis meses.

Abriu-se um "hiato" no trabalho metodista

A morte de Mrs. Kidder transtornou a vida de seu jovem marido alem de lhe ferir duramente o coração, atirando-lhe sobre os ombros o inteiro cuidado de duas crianças, uma das quais, sem duvida, nascida depois de o casal aportar ao Rio de Janeiro. Dois marcos, portanto, da passagem da familia por nosso pais e, ao mesmo tempo, da primeira missão metodista.

Por esses motivos, o Rev. Kidder achou conveniente regressar aos Estados Unidos. A 9 de maio embarcou no "Azelia", levando as crianças consigo. É impossivel descrever o seu estado de espirito quando o navio levantou ferros e se foi distanciando mais e mais da Guanabara: para tras ficara aquela que ele tanto amava e que escolhera para companheira de seus nobres ideais.

O casal McMurdy também se retirou mais ou menos na mesma ocasião. Ficou apenas o Rev. Spaulding e familia. Mas, também estes regressaram, em fins de 1841. Escreveu a proposito o autor de Cincoenta Anos de Metodismo no Brasil.

"Ainda que aquela primeira missão metodista, como trabalho organizado, terminasse no fim de 1841, contudo ainda permaneceu um elo vivo e pessoal que ligou aquele com o movimento moderno do metodismo, e este elo foi a familia Walker que pertencia a Igreja de então e que passou a pertencer a atual Igreja Metodista no Brasil..."

É preciso levar em conta, outrossim, que a semente espalhada por Spaulding e pelos companheiros contribuiu para descerrar caminhos a outros obreiros evangelicos que vieram depois deles. Relata o Rev. G. E. Strobridge, biografo e genro de Kidder que, quinze anos após sua partida do Rio de Janeiro, certo missionario de outra denominação fez amizade com um proeminente cidadão brasileiro, homem de vida realmente cristã, e a quem perguntou a causa desta mudança. Respondeu: "Tudo isto eu devo a Biblia que deixou comigo há muitos anos o Padre Kidder".

Fonte: História do Metodismo no Brasil - José Gonçalves Salvador - Imprensa Metodista

História do Metodismo no Brasil (Parte 08)

Rev. Kidder, figura extraordinária

Kidder era ainda jovem quando embarcou para o Brasil, pois contava apenas vinte e dois anos de idade. Mas já possuia boa dose de experiencia. Havia-se convertido quando adolescente e se unira a Igreja Metodista, a contragosto da familia. Estou em diversos colegios e, por ultimo, formou-se na Wesleyan University em 1836. Já então se decidira pelo pastorado e chegara ate a sonhar em ir para a China como missionario. Não conseguindo realizar este proposito, aceitou o convite que lhe endereçou o Bispo Waugh, em 1837, para trabalhar no Brasil. Aqui chegando com a familia, entrou imediatamente em atividade. Alem do estudo da lingua portuguesa, iniciado quando navegava no "Avon", e dos cultos que dirigia em Engenho Velho ou na cidade, substituindo Spaulding, devotou-se especialmente a divulgação das Escrituras na forma impressa, e a do seu ensino atraves de folhetos. Todas as oportunidades eram sabiamente aproveitadas no sentido de levar ao povo a Palavra de Deus, quer se tratasse de simples passeio, ou de reunião festiva, de visita familiar, hospitalar ou a pessoa de destaque. Kidder costumava presentear com um volume da Biblia ou do Novo Testamento, ou com um folheto, a quem lhe prestasse algum favor ou gentileza. Havia gente que vinha pedir-lhe o precioso livro, desde modestos trabalhadores ate diretores de escolas; outros o faziam por carta. Por diversas vezes encontrou mesmo a simpatia de sacerdotes, aqui e ali. As remessas nunca bastavam para atender a obra empreendida, fosse o escrito em ingles, frances ou portugues. A Sociedade Biblica Americana, de que era agente, mandava-lhe exemplares de quando em quando.
O Rev. Kidder não se limitou a capital, ou Corte como se dizia, nem aos vilarejos existentes ao longo do percurso ate ao Macacu. Viajou tambem a cidade de São Paulo e foi ao interior da provincia, sempre com o objetivo de verificar as condições de cada lugar, distribuir a Palavra de Deus e fazer novas amizades. Na capital bandeirante travou contato com o ex-p´residente da provincia, Rafael Tobias de Aguiar, com o Senhor Vergueiro, com o Padre Feijó, com o Conselheiro Brotero, presidente em exercicio da Faculdade de Direito, com os Andradas e com outras pessoas ilustres. Nessa oportunidade visitou por mais de uma vez a Assembleia Provincial tendo, então, sugerido a diversos de seus membros a introdução da Biblia, como livro texto das escolas, obrigando-se ele, Kidder, a fornecer os volumes necessarios. A ideia teve boa acolhida e o deputado Antonio Carlos de Andrada se incumbiu de encaminhar a proposta a egrégia Assembléia, mas quando tudo ia caminhando quse sem entraves, um sacerdote residente no Rio de Janeiro, insinuou ao bispo desta diocese que a tradução talvez houvesse sofrido alterações, e isto bastou para impedir o andamento do projeto.

Da viagem a Provincia de São Paulo deixou o Rev. Kidder interessante e valioso relato, bem como da que empreendeu ao nordeste do Brasil - Sua obra traduzida sob o titulo de Reminiscencias de Viagens e Permanencia no Brasil, é considerada classica, pois, de modo geral, descreve com fidelidade tudo quando observou nos curtos anos que viveu em nossa Pátria. De outro lado, revelou-se de grande utilidade no tornar melhor conhecido o Brasil entre os de lingua inglesa naquela época, e bem assim entre nós, os das novas gerações.

Sabemos que o ilustre missionario escreveu diversos outros trabalhos e colaborou posteriormente na redação de O Brasil e os Brasileiros, do Rev. J.C. Fletcher, presbiteriano. Foi, portanto, com sobejas razões, que na sessão de 5 de junho de 1841 no Instituto Historico e Geografico Brasileiro seu nome foi apresentado, afim de ser inscrito no rol dos socios correspondentes do sodalicio.

Fonte: História do Metodismo no Brasil - José Gonçalves Salvador - Imprensa Metodista

terça-feira, 19 de abril de 2011

História do Metodismo no Brasil (Parte 07)

Spaulding redobra suas atividades
O Rev. Spaulding esforçou-se por aprender a língua portuguesa, de modo que no espaço de alguns meses já podia usá-la para conversar e para anunciar o Evangelho. Não se circunscreveu, porém, a cidade. Viajou, conforme sabemos, ate a Serra dos Órgãos, Iguaçu, e numa excursão de barco, com o Rev. Kidder, ate a região de Macacu, na província do Rio de Janeiro, distribuindo folhetos e exemplares do Novo Testamento assim como da Bíblia.
Pelo visto, a obra conduzida por Spaulding ia muito alem da simples pregação verbal em recintos fechados, tais como salões alugados e lares de amigos. É certo que, devido a carência de recursos financeiros e por amor a verdade, aceitara o encargo de agente da Sociedade Bíblica Americana, de sorte a suplementar a manutenção da família e do próprio trabalho espiritual.
Nas suas relações com o povo fluminense, constatou o inolvidável missionário haver grande interesse pelas Escrituras, tanto que as remessas recebidas via Estados Unidos, se esgotavam em breve lapso de tempo. Não era, pois, para estranhar, a agitação criada no seio do clero, incitando-o a provocações e a represálias, com prejuízo a sementeira iniciada em hora tão feliz por Spaulding e Kidder.
A ultima de três cartas, datada de 14 de dezembro de 1841, ao Rev. Charles Pittman, secretario correspondente da Sociedade Missionária da Igreja Metodista Episcopal, por Spaulding, é bastante esclarecedora nesse sentido. Vale a pena traduzir alguns dos seus trechos. Em um dos mesmos, assim se expressa o autor: “A influencia de nossos esforços entre o povo do pais pode ser inferida, ao menos em parte, do recente folheto imoderado e abusivo publicado aqui pelo Bispo de Centúria agora residindo em um dos conventos do Rio, no qual diz: Pasmo ao ver a avidez com que tais Bíblias corruptas são recebidas e lidas por leigos ignorantissimos, e por alguns cléricos ainda, se possível é, mais ignorantes, etc.”. E Spaulding prossegue: “Mas posso assegurar-lhe e a todos os amigos da Bíblia que não seria preciso que ele limitasse os seus comentários mal-humorados aos leigos ignorantes e ainda mais aos clérigos ignorantes, pois senadores e deputados da nação, presidentes das províncias, oficiais do governo e da marinha, e do exercito, doutores, advogados, negociantes e homens de todas as camadas com gratidão não fingida receberam esse Livro, e é esperado que o Autor Divino concordará em que seja para eles e suas famílias uma rica fonte de instrução, admoestação e conforto”. Vê-se, assim, quão extensa era a divulgação das Escrituras e o desejo de muitos em conhecê-las.
Spaulding acrescenta logo adiante as razões porque os Protestantes admitem apenas como canônicos determinados livros do Antigo Testamento. Isto é, excluindo os Apócrifos, a exemplo da versão Judaica. Menciona depois alguns escritores do passado e o bem conhecido Concilio de Laodicéia, ao qual diversos daqueles eminentes padres estão ligados. E quanto a Bíblia, objeto das contestações, o argumento é simples, mostrando que o tradutor para a língua portuguesa, era nada menos que o sacerdote católico-romano, Antônio Ferreira de Figueiredo. Os cristãos-evangélicos não tinham, por conseguinte, motivos para se arrependerem. Ademais, afirma ainda Spaulding, é incompreensiva a atitude da Igreja no Brasil, cuja tolerância com respeito as obras de Voltaire, de Rousseau e de outros Deistas salta aos olhos, muito embora irreligiosas e ate opostas ao Cristianismo. Acham-se leitores em todas as classes, e com relativa facilidade se podem comprar nas maiores livrarias. Mas, quão diferentemente sucede em se tratando da Bíblia, pois “de uma a outra extremidade da nação” o clero levantava o povo contra aqueles que a espalhavam, taxando-os de hereges, e ao mesmo tempo dizia que o Império estava sob a maldição do céu, caso as autoridades não detivessem a obra nefasta “dos missionários metodistas” – Contudo, as circunstâncias tinham mudado bastante, e mudariam ainda mais, de sorte que os governantes se deixaram conduzir pelo bom-senso, ao invés de levados por paixões cegas e arbitrárias.
Além desse trabalho, caracterizado pela colportagem e pela pregação a viva voz, Spaulding dava assistência espiritual aos marinheiros, no domingo pela manhã, e durante a semana visitava, quando possível, os enfermos na Santa Casa, sobretudo os marujos e os cidadãos estrangeiros. Como não existisse capelão efetivo para atender aos homens do mar, o comodoro Nicholson convidou-o para dirigir o culto a bordo da fragata “Independência” na base naval do Rio de Janeiro. Grande parte do seu tempo já se achava tomado então, mas os amigos insistiam a que, também, abrisse uma escola, modelada pelo sistema inglês, na qual se ensinasse desde ler e escrever ate filosofia “e outras disciplinas”. Pois essa seria de igual modo, uma excelente forma de acesso ao povo e um bom serviço. No começo pesaria financeiramente, mas depois manter-se-ia por si mesma, diziam esses conselheiros. Tal alvitre, depois de ponderado, foi aceito e, assim, em fins de junho ou começo de julho de 1836, Spaulding instalou-se a Rua do Catete. Em breve a matricula alcançou 15 alunos, sendo 5 do sexo feminino, oscilando as idades entre quatro e catorze anos. Era necessario, por conseguinte, a vinda de mais obreiros, de que deu conhecimento as autoridades da Igreja, nos Estados Unidos, e ao mesmo tempo solicitou dois professores, sendo um para os meninos e uma senhora ou senhorita para as meninas. Tendo em mira, tambem, a expansao da obra, revelou a conveniencia da aquisição de um terreno e a construção nele do indispensavel edificio.

Alcançavam mais longe os olhos do Rev. Spaulding. Antevia um pais grande perante si e habitado por um povo bom, apesar de dominado por superstições, tolhido pela ignorancia, sem saude fisica bastante e carente da verdadeira vida em Cristo. E isto o levou a recomendar a Igreja-Mãe o envio para o Brasil de um observador perspicaz, a fim de viajar pelo território e verificar "in loco" onde se deviam instalar escolas e novos pontos de evangelização. Realmente, na historia do metodismo, estas duas iriam caminhar juntas por toda parte: a instrução e a pregação do Evangelho.

Novos obreiros em ação

Em resposta as solicitações do Rev. Spaulding, a Sociedade Missionaria arregimentou mais gente. A 13 de novembro de 1837 sairam de Boston com destino ao Rio de Janeiro, no "Avon", o Rev. Daniel Parisk Kidder e a esposa, Mrs. Cynthia Harris Kidder, a filhinha, o Sr. R. McMurdy e a Srta. Marcella Russel, irmã de Mrs. Kidder, e que, depois, tornou-se a Sra. McMurdy. A viagem foi penosa, sobretudo para Mrs. Kidder, que permaneceu de cama durante os cinquenta e seis dias da travessia. Afinal, foi grande o regozijo de todos quando puderam abraçar os Spaulding e não menor os destes, porque os recem-chegados alem de patricios, eram companheiros de ideal. A obra metodista recebia, agora, um novo estimulo na pessoa dos novos missionarios, ansiosamente aguardados.

O Rev. Spaulding hospedou-os em seu lar. Entretanto, a familia Kidder seis meses depois achou mais conveniente mudar-se para Engenho Velho, local onde residia a maior parte dos norte-americanos e ingleses, os quais estavam sem assistencia religiosa. Por esta razão, um serviço de culto se instalou ali em carater permanente, ate quando o Rev. Kidder, um ano mais tarde, empreendeu algumas viagens demoradas.

Fonte: História do Metodismo no Brasil - José Gonçalves Salvador - Imprensa Metodista

sexta-feira, 15 de abril de 2011

História do Metodismo no Brasil (Parte 06)

PRIMÓRDIOS DO METODISMO NO BRASIL

Aos metodistas cabe a honra de terem sido os iniciadores das missões evangélicas no Brasil, e os segundos na América Latina. Os presbiterianos, dos Estados Unidos, precederam-nos na Argentina em 1825, mas, poucos anos depois tiveram necessidade de encerrar suas atividades entre os portenhos. Entretanto, o Rev. Fountain Pitts retomou a marcha e em 1836 organizou em Buenos Aires a nossa primeira congregação. Já vimos que ao tempo da vinda dos metodistas para o Brasil, havia algumas denominações protestantes estabelecidas no Rio de Janeiro. Elas, todavia, se preocupavam apenas em dar assistência religiosa aos seus conterrâneos europeus, na língua mãe dos mesmos. Porém, os discípulos de João Wesley deslocaram-se para cá com o firme propósito de transmitir ao povo brasileiro o conhecimento do Evangelho através da divulgação da Bíblia e da pregação. Um panorama da época Nos dizeres do Rev. Pitts a época era das mais oportunas, não devendo ser desprezada. A porta estava aberta, mas um dia poderia fechar-se. De fato o sopro da liberdade corrida por toda a América. O Brasil, á semelhança de outras nações do contingente, acabara de obter a sua Independência. As relações entre o novo governo e a Santa Sé achavam-se estremecidas. A moral do clero deixava muito a desejar. O catolicismo pouco mais tinha a oferecer aos habitantes, além dos ofícios em latim, de procissões e, de quando em quando, um sermão em homenagem a determinado santo. As escolas de Primeiro Grau eram raríssimas; as estradas poucas e más; deficientes os meios de comunicação. A guerra dos Farrapos, que estourou no Sul, em 1835, perturbou a jovem nação durante dez anos. Mas, apesar de tudo, as condições políticas, o intercâmbio comercial com outros países, a vinda de imigrantes, e, enfim, o surto que tomava a agricultura, concorriam para animar o progresso do Brasil. Os metodistas também ensejavam dar a sua contribuição.

Os metodistas e a capital do Império

Os nossos pioneiros escolheram para quartel-general da obra a incetar, a cidade do Rio de Janeiro, sede então da Corte. Ali vivia o príncipe D. Pedro, futuro segundo imperador do Brasil. Nela estavam as representações de países estrangeiros, o Parlamento, a Regência, as grandes casas comerciais, a elite, além de pessoas de outras categorias sociais, e notadamente numerosos escravos negros. Sob estes recaiam os trabalhos mais deprimentes e penosos, como a venda ambulante nas ruas e o carregamento de mercadorias no porto, mas é preciso não esquecer os que serviam em casas ricas, desfrutando da amabilidade do Sinhô e da Sinhá. A cidade possuía algumas ruas, todas estreitas e geralmente calçadas com pedras. A mais importante era a Direita, depois a da Quitanda, centro do comércio de tecidos, e a do Ouvidor, onde se vendiam artigos de luxo. Igrejas havia uma porção, destacando-se pelo vulto a da Candelária. Hospitais também, sendo mais notável por sua antiguidade e ações a Santa Casa de Misericórdia, que atendia a toda a população indistintamente e mesmo aos marujos estrangeiros. Poucos os hotéis, sobretudo os de boa qualidade. Em matéria de ensino sobressaíram o educandário dos jesuítas, a Academia Imperial de Belas Artes, a Escola de Medicina e, em consonância com eles, a Biblioteca Nacional. Existiam, outrossim, cerca de três dezenas de escolas públicas e particulares. A influencia francesa era grande, até na imprensa. Circulavam diversos jornais. Os transportes urbanos (bondes), inaugurados recentemente, eram de tração animal. As ruas, iluminadas a lampião.

O Rev. Spaulding vem instalar a missão

Tendo acolhido favoravelmente as informações prestadas pelo Rev. Pitts, a Igreja Metodista nos Estados Unidos escolheu o Rev. Justin Spaulding, da Conferência Anual da Nova Inglaterra, para a missão no Brasil. Antes tinha ele sido designado para trabalhar na zona de Oregon, na costa do Pacifico, E.U.A., de que, entretanto desistiu. Uma vez aceita a honrosa, mas difícil tarefa e providenciados os meios necessários, embarcou o denodado missionário em Nova York a 23 de março de 1836. Em sua companhia vieram a esposa, o filhinho George Levi e a sua fiel empregada. Chegaram ao Rio de Janeiro a 29 de abril. Ate conseguir moradia na cidade, o Rev. Spaulding e família foram hóspedes por alguns dias do Sr. Thompson, o dedicado negociante inglês já nosso conhecido. Poucos dias depois, em sua própria residência, numa quarta-feira, deu inicio aos cultos em inglês com a presença de trinta a quarenta ouvintes. E não só isso, pregava também na casa daquele amigo, a cerca de três quilômetros, no sábado de manhã e a noite. Como, entretanto, houvesse expectativa de melhoria no trabalho local, o Rev. Spaulding alugou um edifício maior, no começo de junho, a razão de 31$000 por mês, no Largo da Glória. O novo salão comportava cento e cinqüenta a duzentas pessoas. Então passou a dirigir os cultos, ali, todos os domingos a noite, além do que começou a reunir crianças e jovens em Escola Dominical. No inicio, o numero destes oscilou entre doze e dezoito, mas chegou a alcançar ate cinqüenta. Organizou para os mesmos uma biblioteca, tendo os alunos contribuído certa vez com a quantia de 12$000. É interessante, outrossim, que a obra se estendeu a gente de cor, pois o arejado pastor criou duas classes para os negros, uma em inglês e outra em português. “O negro também tem capacidade de aprender e como as demais pessoas pode receber a Graça de Deus”, escreveu Spaulding, o qual se manifestou igualmente contra a escravidão por mais de uma vez.

Fonte: História do Metodismo no Brasil - José Gonçalves Salvador - Imprensa Metodista

domingo, 3 de abril de 2011

História do Metodismo no Brasil (Parte 05)

A Resposta da Igreja Metodista Episcopal
Entendeu o Rev. Pitts que a situação constituia verdadeiro brado macedônico e que a Igreja Episcopal precisava ouvi-lo. Dai o teor otimista de suas diversas cartas. Ora, que ela o compreendeu suficientemente, não resta dúvida, pois ainda antes que retornasse a pátria, foram convocados missionarios para o novo campo. Assim, quando Pitts apresentou o relatório final as competentes autoridades eclesiásticas, estas não fizeram mais que confirmar as deliberações já adotadas. Em 1836, na primavera, o Rev. Fountain E. Pitts encontrava-se de regresso aos Estados Unidos. Nesse mesmo ano, embarca para o Brasil o seu sucessor, mas a ele cabe a honra de ser o precursor do metodismo em nosso pais e, talvez, o primeiro pregador no seculo XIX a anunciar, aqui, o Evangelho, em carater publico, embora em residencias particulares. O nome do Rev. Pitts ligou-se a nossa história dai por diante. Sua influência pode ser vista na decisão de um filho, o Dr. Joseph Pitts, de emigrar com a familia e com outros para a Amazônia, após a Guerra Civil. Ainda, em 1874, o velho progenitor fazia parte da Conferência Geral quando se decidiu enviar missionario para o Brasil, e na certa, sua voz se fez ouvir ali.
Fonte: História do Metodismo no Brasil - José Gonçalves Salvador - Imprensa Metodista

História do Metodismo no Brasil (Parte 04)

A presença do Rev. Pitts no Rio de Janeiro
O desembarque do pessoal que viajara no "Nelson Clark", realizou-se no dia 19, após a costumeira inspeção pelas autoridades alfandegarias. Nosso distinto passageiro trazia cartas de recomendação, dadas respectivamente pelo presidente americano Andrew Jackson e pelo estadista Henry Clay, as quais, certamente, facilitaram a obra que tinha em vista. É provavel, outrossim, estar munido de credenciais de Igreja. O certo é que, logo a chegada, encontrou alguem que o recebeu e o apresentou ao Rev. Fivers, missionario da London Missionary Society, o qual, com a esposa e uma sobrinha, estava a caminho da Índia. Almoçaram todos com o Sr. Thompson, piedoso comerciante inglês, estabelecido na cidade. Além do repasto, o hospedeiro proporcionou também ao enviado da Igreja Metodista Episcopal, horas agradaveis e muitas informações. Este senhor costumava dirigir uma reunião devocional no próprio lar, nos sabados a noite, e outra mensalmente, a favor da obra missionaria. Pitts foi convidado para oficiar a do sabado em que ali passou, e assim principiaram os seus primeiros contactos. Em carta ao Secretario Correspondente da Sociedade Missionaria, conta algo de suas observações. Já se achava no Rio há duas semanas e chegara a conclusão de que, efetivamente, Deus abrira amplamente uma porta para o Evangelho neste Pais. Os privilégios concedidos pelo governo do Brasil eram mais amplos do que esperava de uma nação católica. Permitia o culto aos adeptos de outros ramos cristãos, em suas moradias ou em edificios proprios, desde que sem a configuração de templos, mas isto pouco importava, escrevia Pitts, porque Deus é Espirito e pode ser adorado em qualquer lugar, pois não habita em casas feitas por mãos humanas. Ate aquele momento, já havia pregado sete ou oito vezes em residências particulares e organizado uma classe (ou congregação) com pessoas "que desejavam fugir da ira vindoura, e libertar-se de seus pecados". Denominou-se "nosso pequeno grupo de metodistas". Enquanto não chegasse o obreiro para conduzi-la, seus membros permaneceriam unidos, cada um animando ao outro e, para tanto, ofertou-lhes alguns hinários e exemplares da Disciplina da Igreja Metodista Episcopal. Também já pedira o envio de certos livros, com idênticas finalidades. Um dos membros era professor em florescente escola inglesa e se oferecera para distribuir a literatura. Nenhuma lei proibia a sua divulgação. O Novo Testamento, sobretudo, devia ser posto ao alcance do povo, pois o recem-chegado ministro informou-se de que muita gente queria ler as Escrituras. Despacha, então, para os Estados Unidos, um exemplar da tradução do Pe. João Ferreira de Almeida para ser examinado e reimpresso. Recomenda, outrossim, a publicação de porções do Novo Testamento, como fazemos atualmente. Residem na cidade, prossegue Pitts, muitos americanos e ingleses que aguardam ansiosos a vinda do futuro pastor metodista. Também a comunidade alemã esta interessada em que a Igreja Luterana lhes envie um ministro. Parece que a Seaman's Friend Society, dos Estados Unidos, encaminhará para cá dentro em breve um obreiro afim de dar assistencia espiritual aos marinheiros. A Igreja Episcopal já mantem trabalho, aqui, informa ainda o missivista. Não se esqueceu o arguto Rev. Pitts de obter outros dados. A população da cidade passava de 200.000 almas. O numero de igrejas é de cerca de vinte, sem contar uns dez conventos. O catolicismo tem perdido muito de seu prestigio, tanto assim que as procissões já não tem o brilho de outrora, o imperador Pedro I reduzira o numero de sacerdotes e transformara o convento de São Bento em arsenal do governo. O atual Regente (em vias de ser eleito), referia-se ao Pe. Diogo Antonio Feijó, ainda que sacerdote, era favorável ao casamento dos padres. Também na Assembléia e no Senado pontilhavam homens inteligentes. Por isso, concluia, o Rio de Janeiro oferece ótimo campo para a obra do Senhor Jesus. E então, dá mais estes sabios conselhos: "O missionario que for mandado deve vir imediatamente e começar logo o estudo da lingua portuguesa. Que seja um homem de vivo zelo, paciente como Jó e que encarne a verdadeira filosofia Cristã. Que ponha todos os cuidados nas mãos do Senhor Jesus e que pregue com o Espirito Santo mandado dos ceus que é o que eles desejam aqui, e não um mesquinho enganador filosofico, com uma visão superficial da santidade do coração, que será tão inficaz como o raio frigido da lua sobre uma montanha de gelo". Numa ultima missiva, enviada de Buenos Aires, repete mais ou menos as mesmas informações e torna a repisar as qualificações do pastor que há de vir: "Espero que o ministro que possa vir tenha mais prudencia do que agressividade para com a Igreja Romana. Assim agiu Paulo em face das superstições da Grécia. Se for cortes e respeitoso para com a ordem estabelecida, ser-lhe-á permitido pregar sem ser molestado. Agora a porta esta aberta. Se demorarmos poderá fechar-se".
Fonte: História do Metodismo no Brasil - José Gonçalvers Salvador - Imprensa Metodista

sexta-feira, 1 de abril de 2011

História do Metodismo no Brasil (Parte 03)

Rev. Fountain E. Pitts enfrenta o Atlântico
O Rev. Pitts, após a sua escolha, entrou imediatamente em ação. Ele próprio levantou recursos a fim de custear as despesas da longa e penosa viagem. De modo que, decorridas algumas semanas, pode embarcar na cidade de Baltimore, aos 28 de junho de 1835, com destino ao Rio de Janeiro, capital do Império do Brasil, nação ainda nova, visto que sua independência de Portugal datava de há poucos anos, mas, na qual; se desenvolviam idéias elevadas e progressistas. Uma vez alojado a bordo do navio "Nelson Clark" e vencidos os transtornos muito comuns nas viagens maritimas, o Rev. Pitts obteve licença para dirigir cultos com vistas a passageiros e tripulantes. Estes ultimos, todavia, apesar de irreligiosos, mostraram-se cortezes e respeitosos. Quem dirá se a semente do Evangelho veio a germinar no coração de algum ouvinte? Só Deus podera responder. Afinal, decorridos cinquenta e dois dias enfadonhos sobre as águas agitadas do Atlântico, a embarcação ancorou na Guanabara ao entardecer do dia 18 de agosto. O tempo estava firme, mas a aragem soprava fria. A noite ainda não caira, toldando a paisagem ao redor. O quadro que se descortinava aos olhos de Pitts e dos companheiros era deslumbrante. Desde os primeiros navegantes, no começo do seculo XVI, todos quantos adentravam a encantadora baia, expressaram entusiástica admiração. Poucos dias depois, escreveria ele, revelando dons óéticos: "Nasa pode exceder a beleza da baia, e a grandeza ou o cenário ao redor. Ela se assemelha a um lago extenso. Ilhas estão graciosamente engastadas em seu seio, e em suas margens, tanto quanto o olhar é capaz de alcançar, apresentam-se sorridentes nucleos urbanos e vilas. A terra sobressaindo gradualmente da água, através de montes e vales, os quais estão cobertos de interminavel verdura, ate que a visão é confinada por surpreendentes cumes das montanhas de granito marrom, que formam uma muralha ao redor da imensa bacia. E além disto, em dia claro, os picos azuis da serra dos Órgãos, podem ser vistos distintamente à distância de cinquenta milhas, acima do lençol de nuvens que pairam em baixo".
Fonte: Livro História do Metodismo no Brasil - José Gonçalves Salvador - Imprensa Metodista

quarta-feira, 30 de março de 2011

História do Metodismo no Brasil (Parte 02)

O Brasil na ponta da mira

Em 1832 a Conferência Geral tomou novo interesse pela América do Sul. Os bispos receberam, então, a incumbência de estudar com a Sociedade Missionária a viabilidade do plano. O Brasil, sobretudo, oferecia no momento condições auspiciosas e, além disto, chegou, a seguir, uma carta de Buenos Aires, solicitando o envio de obreiros, pois já havia ali uma Sociedade Metodista, ou classe, organizada. Por conseguinte, as autoridades fizeram apelos nesse sentido ao ministerio da Igreja, tendo prontamente se oferecido para vir o Rev. Fountain E. Pitts, da Conferência Anual do Tennessee. Aceitaram-no e o bispo James O. Andrews, da referida região eclesiástica, o confirmou, nomeando-o a seguir para a importante missão. Devia investigar pessoalmente as condições existentes naqueles paises e dar parecer sobre a conveniência do estabelecimento de trabalho metodista nas suas capitais. Sem dúvida, o Rev. Pitts era o homem certo para esta colheita de informações.


Fonte: Livro História do Metodismo no Brasil - José Gonçalves Salvador - Imprensa Metodista

História do Metodismo no Brasil (Parte 01)

PARTE I

"Bem-aventurados os pés dos que anunciam o Evangelho de Deus" (Is 52:7)


Primórdios do Metodismo no Brasil

(1835 a 1841)

O Precursor do Metodismo no Brasil

O espirito evangelistico é parte integrante do metodismo. A pregação da mensagem salvadora do Evangelho caracterizaram-no desde o começo, na Inglaterra. A obra de Wesley e companheiros, em divulgá-la por todo o País e terras circunvizinhas, tornou-se uma verdadeira cruzada missionária. A aspiração do grande guia religioso, como sabemos, foi a de tomar o mundo como sua paróquia. Por isso, a exemplo da Igreja-mãe, também a dos Estados Unidos da América, antes de ver o Cristianismo aceito por todos os concidadãos, tratou de levar a Boa Nova a outros povos. Assim, em 1820, oficializou a Sociedade Missionária com esse objetivo, a qual, cinco anos depois, ou seja, em 1825, pediu aos bispos a nomeação de obreiros para a África e América do Sul. Contudo, na ocasião faltava o elemento humano talhado para a tarefa. Era preciso esperar.

Fonte:Livro História do Metodismo no Brasil, por José Gonçalves Salvador - Imprensa Metodista

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Evangelismo (Questionário)

Questionário
1) Segundo o Apóstolo Paulo, qual é o meio de operação do Evangelho?
2) Das necessidades do evangelismo, qual voce julga mais importante?
3) Cite os grandes desafios da Igreja e do Evangelho no Mundo. Qual voce considera mais dificil de transpor?
4) Escolha uma das necessidades acima e comente em algumas linhas:
5)Como evangelizar pela literatura no trabalho?
6) Como podemos fazer uso do correio para evangelizar?
7) Dos metodos de abordagem, qual voce considera melhor?
8) No tópico focalizando a criança, como devemos agir para evangelizar-la?
9) Quando estamos trabalhando com uma Igreja, que atitude devemos tomar em relação a abordagem?
10) O que é evangelismo para voce?
11) O que é evangelismo pessoal?
12) Quais as vantagens do evangelismo pessoal?
13) Qual a primeira caracteristica basica que deve ter o ganhador de almas?
14) Que episódio temos no Evangelho de João, nos seus primeiros versiculos?
15) Qual a atitude de Cristo para com o pecador?
16) Por que devemos evangelizar as crianças? Qual o lugar favoravel?
17) Por que devemos evangelizar os pobres? Cite alguns cuidados de Jesus para com eles.

domingo, 25 de julho de 2010

A EDUCAÇÃO SEXUAL

Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele. (Provérbios 22:6)


Objetivo Geral
Mostrar a importância da educação sexual na perspectiva cristã.


Comentário
Nos nossos dias, não se pode por em dúvida a necessidade deste assunto, já que vivemos em um mundo globalizado, e numa sociedade por demais erotizada. Estamos na era da comunicação. A internet e a televisão estão disponiveis aos nossos filhos trazendo todo tipo de informações quase sempre distorcidas e tendenciosas. Por isso, é relevante tratarmos com os nossos filhos sobre a educação sexual em todas as etapas da vida, principalmente, da infância à juventude.

1. O que é educação sexual?
Como não poderia ser diferente, a nossa abordagem sobre a educação sexual se dá numa perspectiva cristã. Na cosmovisão cristã, a educação sexual busca ensinar e esclarecer questões relacionadas ao sexo, sem preconceito e tabu, mas com responsabilidade, e claro, com os principios morais e éticos descritos nas Sagradas Escrituras. Entendo que falar de sexo mesmo nos nossos dias é constrangedor para muitos. Contudo, tocar nesse assunto é de extrema importância, pois esclarece duvidas no desenvolvimento da sexualidade.
O prinncipal objetivo da educação sexual do ponto de vista cristão é preparar os nossos adolescentes e os nossos jovens para uma futura vida sexual no casamento. Assuntos como: pureza sexual e virgindade, masturbação, DSTs (doenças sexualmente transmissiveis), gravidez precoce, relação sexual fora do casamento (fornicação), adultério, etc., devem estar em pauta nas discussões sobre educação sexual.
2. Quem são os responsáveis pela educação sexual?
Começando do menor para o maior, vamos ver os responsáveis pela educação sexual.
2.1 - A Sociedade
A sociedade como um todo tem função decisiva na educação sexual de todos: crianças, adolescentes, jovens e adultos. A participação da sociedade na educação sexual pode ser implementada em varios aspectos e de diversas formas. Como por exemplo: através de publicações, espetáculos, programa de saúde sexual mediante projetos de ajuda assistencial, educação sexual de subnormais, programa de educação sexual para adultos etc.
2.2 - A Escola
A escola é considerada hoje em dia um dos lugares mais importantes para educação sexual. A tarefa da escola deve ser de complementar a educação recebida no lar pelos pais, e não o contrário. Cabe a escola uma educação sexual mais teórica, acadêmica, cientifica, baseada tanto na Biologia como na Ética. O bom educador sexual deve ter algumas qualidades imprescindiveis, como: conhecimento do assunto, ser equilibrado, proximidade efetiva e afetiva dos educandos, testemunho de valores no campo sexual. Infelizmente, muitos deles são mal resolvidos nessa área, influenciando negativamente os seus alunos.
2.3 - A Igreja
A igreja tem um papel fundamental na educação sexual, visto que ela detem os valores morais e espirituais tao necessarios a boa formação dos individuos. O trabalho pastoral, bem como de conselheiro adequadamente preparados e professores da Escola Biblica Dominical, são ações efetivas para uma eficiente educação sexual no seio da igreja.
2.4 - A Família
Indiscutivelmente a familia tem o primado da educação sexual. Mais que a sociedade, a escola, e a igreja, é aos pais que cabe o direito e o dever da educação sexual dos filhos. É muito importante que os pais não negligenciem este dever. Caso contrário, as consequencias poderão ser drásticas. Nessa tarefa de educar os filhos, os pais precisam preparar-se adequadamente para isso. Em primeiro lugar, é fundamental que haja um clima de amor e comunicação entre pais e filhos, de maneira em que os valores fundamentais da vida sexual sejam transmitidos sem qualquer trauma. Não menos importante, é a vida e o comportamento dos pais dentro de casa como marido e mulher. Compete também aos pais esclarecer as primeiras dúvidas e as primeiras curiosidades dos seus filhos sobre sexo, do tipo: "de onde vêm as crianças?" etc.


Conclusão
Concluindo este assunto quero reiterar a importância de se abordar esta questão com responsabilidade, e o devido preparo, tanto do ponto de vista secular, e sobretudo, dentro dos parâmetros da ética e da moral cristã.
Aplicação Prática
1. Não tenha vergonha de conversar com seus filhos acerca da sexualidade. É bem melhor que ele aprenda a verdade e em um ambiente de confiança, onde possa contar com a amizade e o respeito de seus pais do que aprender errado, com pessoas sem temor de Deus.
2. Há muitos periódicos cristãos que podem auxiliar voce a conversar com seus filhos sobre sexo. Procure ler e informar-se, a fim de que voce tenha uma palavra sabia e dentro de uma linguagem acessivel e atualizada.
3. Não faça do sexo um tabu em sua casa, mas também não permita que seja o único assunto dominante da mente de seus filhos.
Fixação de Aprendizagem
1. Quem tem primazia na educação sexual dos jovens? Por que? Como essa educação deve acontecer?
(EXTRAÍDO da revista "explicando as Escrituras" Jovens e Adultos)

O ABORTO

Não matarás. (Êxodo 20:13)

Estudo ministrado na Escola Biblica Dominical no dia 11/07/2010 na Igreja Metodista Wesleyana em Venda Nova/Belo Horizonte-MG.


Objetivo Geral


Mostrar o valor da vida humana à luz da Biblia, e que Deus condena o aborto.


Comentário

Uma das bases principais da discussão ética através da historia é a questão do valor da vida humana. Na tradição Judaico-Cristã, essa valorização da vida humana aparece sintetizada no sexto mandamento do Dec[álogo através do imperativo: "Não matarás". Não obstante, a consciência da humanidade, a cerca deste assunto, o ser humano não tem conseguido afastar definitivamente do seu horizonte a realidade da morte. Agressões ao valor da vida humana como: suicidios, homicidios, a pena de morte, eutanásia, guerras, sequestros, e o aborto etc, são evidências de que mesmo o homem mais civilizado ainda não chegou à plena consciência do valor da vida humana.


1. O que é aborto?

É consenso que a vida humana tem o seu inicio com a fecundação ou fertilização. Quando falamos de inicio da vida, falamos tanto no sentido biológico quanto no sentido teológico. Isto porque tanto a parte material quanto imaterial (alma e espirito), passam a existir simultaneamente na fecundação. Da primeira semana ate o segundo mês, ele é conhecido como embrião; a partir do segundo mês já é um feto.

Admite-se comumente que o feto só consegue viver fora do ventre materno com vinte e oito semanas. Por isso, entende-se como aborto a interrupção da gravidez quando o feto não é viável isto é, quando não pode subsistir fora do ventre materno.



2. Tipos de aborto

Em principio há dois tipos de aborto: o aborto espontâneo e o aborto provocado. Chama-se aborto espontâneo quando a interrupção da gravidez se dá por causas naturais, sem a livre intervenção humana. O aborto provocado é o que se deve à livre intervenção do homem.



2.1 - Tipos de abortos provocados

Costuma-se classificar o aborto provocado em quatro tipos conforme as suas "causas" ou "razões":

a) Aborto terapêutico. Aborto provocado quando o prosseguimento da gravidez põe em risco a vida da gestante.

b) Aborto eugênico. Aborto provocado quando existe o risco, e às vezes a certeza, de que o novo ser nasça com anomalias ou malformações congênitas.

c) Aborto humanitário. Aborto provocado quando a gravidez veio como consequencia de ação violenta, como, por exemplo, o estupro.

d) Aborto psicossocial. Aborto provocado quando a gravidez é "indesejada" por razões sociais ou psiquicas: problemas econômicos ou de moradia, gravidez em mulheres solteiras, ou como consequencia de relações extraconjugais etc.



3. Que diz a biblia sobre o aborto?

Vamos ver algumas considerações importantes que a biblia faz sobre o aborto.


3.1 - O valor da vida humana como dom de Deus

A ordem de Deus em Êxodo 20:13 é "Não matarás". Este imperativo ecoa por toda a Biblia (Gn 9:6; Êx 21:22,23; Lv 24:17; Mt 5:21; 19:18; Mc 10:19; Lc 18:26; Rm 13:9; Tg 2:11; Ap 9:21; 21:8; 22:15). Sendo assim, qualquer atentado contra a vida, como o aborto, é totalmente reprovável por Deus. Já que Ele é o doador da vida, só Ele tem o direito de tirá-la.


3.2 - A vida começa na fecundação

Na união do espermatozóide com o óvulo, tem-se a fecundação e consequentemente o inicio da vida. Essa nova vida, não é uma extensão da mãe, como um apêndice que pode ser retirado. Mas um ser pessoal e um novo individuo. A Biblia não faz distinção entre a vida nascente (embrião, feto), e a vida desenvolvida. Isto por que se a vida humana começa na fecundação, potencialmente, não pode tornar-se outra coisa senão um ser humano.

No Salmo 139:13-16, o salmista demonstra o seu assombro e seu louvor diante de Deus descrevendo sua vida intrauterina desde sua existência informe ate desenvolvimento total do feto. Além disso, ele fala do relacionamento entre Deus e o embrião quando diz: "Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias...".

Outros textos vão confirmar a realidade do relacionamento entre Deus e o não-nascido (Jó 10:8,11; Sl 78:5,6; Jr 1:5; Gl 1:15,16; Is 49:1,5). Fica claro, portanto, que se Deus é capaz de interagir com o não-nascido, e que se a vida começa na fecundação, aborto é assassinar uma vida. E isso é abominação diante de Deus. O livro do Apocalipse arremata dizendo: "Fora ficam os cães, os feiticeiros, os impuros, os ASSASSINOS...".

Conclusão

A Igreja Metodista Wesleyana, bem como todas as demais denominações sérias e que seguem a Palavra de Deus, é a favor da vida. Por isso, repudiamos completamente a prática do aborto, em quaisquer circunstâncias (terapêutico, eugênico, humanitário, psicossocial). A Biblia diz que devemos dar a vida pelos nossos irmãos, e não tirá-la (1Jo 3:16).

Aplicação Prática

1. O aborto deixa marcas profundas naqueles que o praticam. Peça ao Senhor que te conceda palavras de cura e perdão para que sejas um restaurador de corações destroçados e consciências culpadas.

2. Tenha uma palavra e incentivo e apoio para mulheres que acreditam ser o aborto a única saida. Mostre o poder de Deus em transformar e redimir a Historia, apresentando o milagre como garantia de Deus para os que obedecem aos seus mandamentos.

Fixação de Aprendizagem

1. Por que a prática do aborto é condenável para nós, os cristãos?

domingo, 11 de julho de 2010

ANJOS uma perspectiva biblica e atual (Parte 13)

DEMOLINDO AS FORTALEZAS DE SATANÁS
2Corintios 10:1-8

Introdução
Já tratamos sobre a batalha espiritual noutra lição. Mas queremos voltar ao tema sob outra perspectiva. A Igreja é um exercito constituido para lutar contra as fortalezas demoniacas. De algum modo, nem todos os que estão no exercito vão para a linha de frente, mas os que estão no front precisam daqueles que ficam na retaguarda.
Portanto, no exercito de Deus, todos são importantes e indispensáveis. Deus usa os que vão para a linha de frente para que combatam, de modo aberto, as milicias do inimigo. Porém, os que ficam na retaguarda, são os que planejam e municiam os da linha de frente. E nossas armas não são carnais (2Co 10:4).
Nesta lição, descobriremos como destruir as fortalezas do inimigo.

I.O Que São Essas Fortalezas
1.São construções erguidas onde se instalam guarnições de guerra. Do ponto de vista espiritual, essas fortalezas podem ser lugares fisicos ou culturais que os demônios utilizam como base de operações para as suas atividades. Essas fortalezas espirituais podem ser construidas em individuos e comunidades.
Um politico sem Cristo, por exemplo, pode tornar-se um agente demoniaco, pelo qual Satanás podera ter dominio sobre um pais, um estado, cidade ou bairro. Coletivamente, as fortalezas demoniacas são construidas no “modus vivendi” cultural de uma cidade, bairro ou vila.
As fortalezas demoniacas podem se esconder atras de uma cultura, de uma filosofia. E, assim, vão os demônios dominando cidades inteiras. Várias cidades brasileiras estão altamente comprometidas com o Espiritismo, mediante a chamada cultura afro-brasileira. Nossas cidades tem praças com nomes de divindades pagãs. Serviços publicos, hoteis e espaços culturais são dedicados a tais entidades.
2.São fortalezas territoriais. Indiscutivelmente, Satanás procura ampliar seus dominios de modo organizado. Ele tem estabelecido “fortalezas territoriais” em cidades, estados e paises sob o comando de demônios designados para tais atividades (Ef 6:12).
Nos dias do Novo Testamento, o apóstolo Paulo deparou-se com uma fortaleza diabólica na cidade de Éfeso (Atos 19). Os demônios atuavam livremente nesta cidade, pelo menos ate Paulo chegar com a mensagem de Cristo. A fortaleza principal de Satanás estava na adoração e veneração à deusa Diana dos Efésios. Todo o povo venerava a deusa.
Mas a igreja recém-formada começou a repudiar esse sistema satânico, e a destruir as fortalezas demoniacas da cidade. E os demônios territoriais que dominavam Éfeso começaram a sentir o impacto do poder do Evangelho. Não tenhamos duvida, atrás das idolatrias, existem demônios designados por Satanás para escravizarem cidades, estados e paises.
3.A quem pertence a terra? Se os demônios ocupam espaços territoriais para construir suas fortalezas, a Igreja tem por missão expulsar esses espiritos e demolir suas fortalezas. A Biblia declara que do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam” (Sl 24:1). Quanto ao diabo, é ladrão e salteador. Não é dono de nada. Ele é usurpador. Mas a Igreja é a força do Senhor para derrubar os fortins, demolir as fortalezas e libertar os cativos.
4.Como se formam as fortalezas demoniacas? Nos pontos acima, destacamos que os demônios constroem fortalezas espirituais a partir de culturas regionais, ideologias e idolatrias varias. Na verdade, os demônios podem ser achados onde quer que estejam os seres humanos, independente de territorios ou regiões. Os demônios não estão interessados na criação inanimada, nem mesmo em montes, rios, arvores, cavernas, estrelas etc. Ele esta interessado nas pessoas. Onde quer que estas estejam, eles constroem suas fortalezas para promover a desordem social e espiritual (Jo 10:10).
II.Identificando as Fortalezas Demoniacas
1.Fortalezas carnais. Quando um cristão não consegue ter uma vida de comunhão com Deus, e vive caindo em fraquezas, inevitavelmente se torna um candidato ao assédio dos demônios. Paulo escreveu aos Romanos que a carne pode usar da liberdade cristã para armar ataques contra a santidade do cristão (Rm 7:8,11).
A carne, portanto, pode ser o elemento que o diabo pode usar para conquistar o cristão. Paulo diz outra vez aos romanos: “Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências” (Rm 13:14).
A Biblia ensina que não devemos facilitar com os desejos da carne, porque ela pode ser o canal de acesso da influência satânica. Tal influência procura vitalizar a força das paixões para induzir o cristão a praticar o pecado, ou a alimentar pensamentos sujos. Nessa queda espiritual, a carne se torna uma fortaleza demoniaca.
2.Fortalezas mentais. Paulo escreveu: “Mas nós temos a mente de cristo” (1Co 2:16). No entanto, não podemos nos esquecer que todo crente, mesmo o espiritual, passa por momentos de fragilidade e vulnerabilidade espiritual. É nesse estagio, que Satanas procura intervir para estabelecer a sua fortaleza. Certas duvidas espirituais, questionamentos de pontos biblicos, atitudes de desanimo e desesperança, são as oportunidades que Satanás espera para poder infiltrar-se na vida do crente. O crente carnal, por abrir espaço para o joio inimigo, acaba sendo uma presa fácil para os interesses satanicos.
3.Fortalezas anti-sociais. A injustiça social é a razão dessas fortalezas demoniacas, pois Satanas quer desagregar a familia, a sociedade e a Igreja. O amor fraternal é a arma eficaz contra essas fortalezas que operam através da discriminação, da intolerância, da indiferença, do egoismo e do ódio. Satanás tem interesse em contruir fortalezas que afetem as relações humanas e promovam a incredulidade.
4.Fortalezas ideológicas. Nunca dantes o campo das filosofias esteve tão vasto e forte como na atualidade. Há uma tremenda sedução do humanismo pregado hoje. Filosofias como as da Nova Era, não só seduzem, mas induzem à construção de fortalezas demoniacas nas escolas, no meio empresarial e outras organizações.
A ideia basica da Nova Era é a junção de ciência e misticismo, com o proposito de dar lugar a uma cultura que desconheça totalmente a Deus.
Essas fortalezas estão sendo construidas por Satanás em todas as instituições, e a Igreja precisa levantar-se com o poder do Espirito pardestrui-las. Não podemos nos omitir. Precisamos combater os poderes satânicos e neutralizar o reino das trevas.
5.Fortalezas do ocultismo. O ocultismo inclui todas as formas possiveis de espiritismo. O ponto de partida do ocultismo esta no disfarce de Satanás em apresentar-se como anjo de luz. O apóstolo Paulo alertou para o problema ao escrever: “Ora, o Espirito afirma expressamente que, nos ultimos tempos alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espiritos enganadores e a ensino de demonios”(1Tm 4:1). Jesus disse que nos ultimos tempos apareceriam “falsos cristos e falsos profetas, operando sinais e prodigios para enganar, se possivel, os proprios eleitos” (Mc 13:22).

Conclusão
É hora, pois, de a Igreja estar preparada, com as armas da milicia espiritual, para demolir as fortalezas que Satanás vem erguendo em todos os setores das atividades humanas. É hora de lutar. Coragem e ânimo. A nossa vitoria já esta garantida em nome de Jesus.

Questionário
1.Como Paulo descreve nossas armas espirituais?
2.O que são as fortalezas territoriais do diabo?
3.Cite algumas fortalezas satânicas?
4.A quem pertence a terra?


(EXTRAÍDO da revista “Lições Bíblicas” Jovens e Adultos – ANJOS uma perspectiva biblica e atual)

ANJOS uma perspectiva biblica e atual (Parte 12)

O JULGAMENTO HISTÓRICO E FINAL DE SATANÁS
Apocalipse 20:1-3,7-10

Introdução
Nesta lição, trataremos dos juizos divinos sobre Satanás desde a sua rebelião no ceu ate ao Juizo Final. Ele, seus demônios e todos os ímpios não escaparão ao castigo eterno do “lago de fogo” (Ap 20:10).

I.O Julgamento de Satanás no Jardim do Éden
Quando Lúcifer viu-se arrojado da presença de Deus, motivado por seu pecado de soberba e presunção, não teve dúvida em tornar-se inimigo de Deus. O desejo de vingança o levaria a toda sorte de ações contra o Criador e a sua obra. Na criação dos ceus e da terra, Deus estabeleceu uma regência para o mundo fisico, material e, então criou o homem à sua imagem e semelhança. O ser humano foi a obra-prima do Criador, na qual Ele tinha prazer (Gn 1:27,28).
Porém, Satanás estava desolado e buscando uma oportunidade de vingança contra o Criador. Sem perder tempo, investiu contra a criatura humana e conseguiu pervertê-la com engano e mentira (Gn 3:1-7). Agora, depois de induzir o homem a queda, ainda usurpou sua autoridade e poder sobre a terra, tornando-o escravo do pecado. Por causa disso, o Senhor lançou sobre Satanás o juizo inevitavel, decretando sua, derrota. Esse primeiro juizo está em Gênesis 3:15: “E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”. É, de fato, um duplo juizo sobre a mulher e sobre a serpente, o diabo. Podemos identificar esse duplo juizo como sendo redentor e vingativo.

1.O juizo redentor. Esse juizo foi aplicado à mulher, mas tinha um aspecto salvifico, isto é, redentor. A Escritura indica que “a semente da mulher” haveria de pisar e desfazer o poder destruidor do pecado. Essa “semente” é Jesus, nascido de mulher, mas gerado pelo Espirito Santo (Gl 4:4). Ele pisou a cabeça da serpente, desfazendo a condenação do homem. Ele venceu no Calvário a tentativa satânica de arruinar para sempre o homem. Foi pela sua obra expiatória no Calvário que Jesus pode redimir o homem dos seus pecados.
2.O juizo vingativo. Com a declaração divina: “esta te ferirá a cabeça”, foi decretado o juizo vingativo e punitivo de Deus contra Satanás, a “antiga serpente”. A execução dos juizos divinos contra Satanás começou no Calvário através de Jesus, “a semente da mulher”. Foi Deus mesmo, na pessoa de seu Filho Jesus que, tomando a forma humana, assumiu o papel de executor da vingança divina contra Satanás. Nada pode deter o cumprimento parcial dessa vingança, porque ela terá seu cumprimento no Juizo Final.
Satanás e seus demônios sabem que o tempo está marcado no calendário divino, e nada poderá reverter essa situação.

II.O Julgamento de Satanás no Calvário
Isaías antevê a eficácia do Calvário. O profeta apresenta “o valente”, o diabo, vencido, abatido e despojado pelo “mais valente” que é Jesus (Lc 11:21,22). Diz o profeta: “Tirar-se-ia a presa ao valente? Ou os presos justamente escapariam?
Mas assim diz o Senhor: Por certo que os presos se tirarão ao valente, e a presa do tirano escapará” (Is 49:24,25).
Está subentendido que o valente tipifica o diabo. Mas quando chega Jesus, o mais valente” (Lc 11:22), o diabo é manietado e não consegue impedir a obra libertadora do Filho de Deus. Foi Jesus quem desalojou o diabo e o despojou de seus poderes. Um dos aspectos da vitória de Cristo no Calvário foi o ato de despojar as forças de Satanás, e triunfar gloriosamente sobre elas conforme está declarado em Cl 2:15.

III.O Julgamento de Satanás na segunda vinda pessoal de Cristo
1.Satanás será arrojado dos Céus (ap 12:7-12). Quando de sua rebelião contra o Senhor, o diabo perdeu o direito de habitar na mesma dimensão de Deus e dos santos anjos. Ele foi expulso da presença do Altissimo, estabelecendo sua habitação “nas regiões celestiais” (Ef 2:2; 6:11,12).
a) A primeira derrota imposta aos poderes de Satanás pelo arcanjo Miguel. A primeira derrota de Satanás frente ao arcanjo Miguel e seus anjos encontra-se em Daniel (Dn 10:13,21). O pivô desse confronto foram as oraçõesdo profeta Daniel em favor dos judeus. A resposta de Deus estava sendo impedida pelos anjos malignos, mas o anjo do Senhor venceu a barreira, e levou a Daniel a revelação divina quanto aos últimos dias. Satanás odeia Israel por causa do pacto divino com esse povo. As promessas feitas por Deus a Abraão e seus descendentes ainda estão em vigor.
b) A segunda derrota imposta aos poderes de Satanás pelo arcanjo Miguel acontecerá na Grande Tribulação (Ap 12:7-12). Miguel, o arcanjo de Deus, lutará para defender a Israel do ataque “do grande dragão”. Por isso, Satanás promove o ódio das nações do mundo contra Israel. E chegará um tempo em que as nações, sob o comando do Anti-cristo, se unirão para destruir o povo judeu.
c)O tempo da Grande Tribulação. O Anticristo se levantará no tempo da Grande Tribulação. Israel lutará, mas estará pressionado e acuado diante das forças inimigas, ate que surja o sinal do Filho do homem. Ele virá em glória aos olhos de todos (Zc 12:8,11; Mt 24:30; Ap 1:7). Ante a visão estrondosa, os opressores de Israel recuarão, e, ao tentarem reagir contra os exercitos celestiais, serão destruidos. Será “o tempo da angústia de Jacó” (Jr 30:7), ou como Jesus falou: “o tempo da grande aflição” (Mt 24:21). Todavia, esse tempo terá o seu fim, porque Jesus intervirá com a sua vinda (Zc 14:1-9).
2.Depois da grande batalha, Satanás será preso por mil anos no poço do Abismo. No ato interventor de Cristo na batalha do Armagedom, João viu que Jesus vinha do ceu sobre um cavalo branco de modo glorioso (Ap 19:1-3). Ele instalará um reino de paz e correção no mundo, conhecido como o “periodo milenar”, e será o Rei de todas as nações. O “homem do pecado” e o “falso profeta” serão lançados vivos no lago de fogo – o estado final de todos os ímpios (Ap 19:19,20; Mt 24:30; 2Ts 2:8-10).

Com toda a autoridade, Cristo dará ordem a um de seus anjos para que prenda e encerre ao diabo no poço do abismo por mil anos. No final desse periodo, diz a Biblia que o diabo será solto “por um pouco de tempo” (Ap 20:3,7) para tentar as nações o Reino de Cristo (Ap 20:8,9). Ele ajuntará as nações contra a cidade amada, Jerusalém, e quando estiverem cercando o arraial dos santos, então descerá fogo do ceus e os destruirá (Ap 20:7-9). Essa será a ultima batalha de Satanás contra o povo de Deus. Depois, só lhe restará o lago de fogo.

IV.O juizo Final
O diabo e as nações serão julgados no final do periodo milenar. Ato continuo, será instaurado o grande trono branco (Ap 20:10-15). Diante do Todo-poderoso, comparecerão todos os ímpios de todos os tempos para que sejam julgados pelas coisas que estão escritas nos livros da eternidade (Ap 20:12). Aqueles cujos nomes que não forem achados escritos no livro da Vida serão lançados no “lago de fogo”, onde sofrerão o dano da segunda morte (Mt 25:46; 5:28,29; Ap 21:7,8). Satanás e seus anjos serão também lançados nesse lugar para sempre. Jesus disse que “o fogo eterno” foi preparado para o diabo e seus anjos (Mt 25:41). Após o julgamento final, teremos os novos céus e a nova terra (Ap 21:1; 2Pe 3:7-13).

Questionário
1.Onde esta registrada a primeira batalha entre Miguel e as hostes de Satanás?
2.Por quanto tempo Satanás estara preso?
3.Quem é o verdadeiro Valente?
4.Terminada a Grande Tribulação, onde será lançado o diabo?


(EXTRAÍDO da revista “Lições Bíblicas” Jovens e Adultos – ANJOS uma perspectiva biblica e atual)

sábado, 10 de julho de 2010

ANJOS uma perspectiva biblica e atual (Parte 11)

A ATIVIDADE DOS ANJOS NOS EVENTOS DA VIDA FUTURA
Mateus 13:39-41; 16:27; 24:31; 25:31-33
1 Tessalonicenses 4:16

Introdução
Os anjos tem uma atividade especial em relação à criatura humana quanto à vida presente e futura. Na presciência divina, todos os eventos escatológicos tem e terão a participação angelical.

I.Os anjos no traslado das almas e espiritos dos mortos
Foi Jesus quem melhor ensinou esta importante doutrina. Ele contou a historia de um homem pobre e um rico que morreram, conforme o texto de Lucas 16:19-31. Um era justo e o outro era ímpio. Após morrerem, ambos foram para “o lugar dos mortos” denominado Sheol ou Hades, palavras hebraica e grega, respectivamente (Sl 18:5; 2Sm 22:5,6; Lc 16:22,23).

1.O que é o Sheol-Hades? Quando Jesus ensinou sobre o reino dos mortos, fê-lo na perspectiva do Antigo Testamento, em que o Sheol era identificado como sendo um só lugar com uma separação entre “seio de Abraão” e o “lugar de tormento”. Um abismo intransponivel fazia a separação entre os dois lugares nesse “mundo espiritual”. Todos os mortos, justos e ímpios, iam para esse lugar. Os ímpios desciam para o lugar de tormento, e os justos iam para o paraíso ou seio de Abraão.
2.A mudança do Sheol-Hades depois do Calvário. Depois da obra redentora de Cristo no Calvário, houve um deslocamento do paraíso para outro lugar na “presença de Deus”. O “lugar de tormento” permaneceu no mesmo lugar sem nenhuma mudança. Paulo declarou que o paraíso foi mudado para o “terceiro céu” sob o trono de Deus (Ef 8:8-10; 2Co 12:1-4).
3.O Sheol-Hades não é o Purgatório. O que a Bíblia ensina, de fato, é que o Sheol ou Hades é um lugar e estado intermediário para as almas e espiritos dos mortos. Nesse lugar, não há orações, nem purificações, nem purgações, nem possibilidades de mudança de estado. Quem morreu sob condenação do pecado não escapará ao juizo final, e quem morreu em Cristo Jesus, está livre de qualquer condenação. Portanto, o Sheol ou Hades é apenas um lugar de espera para se entrar definitivamente na eternidade.
4.O trabalho dos anjos no traslado das almas e espiritos dos mortos em Cristo. Para os anjos esse trabalho se constitui num privilegio, porque eles podem constatar o resultado da vitória de Cristo no Calvario. O texto de Lucas 16:22 diz: “E aconteceu que o mendigo morreu e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão”.

II.Os Anjos na Ressurreição dos Mortos em Cristo
1.Um equivoco doutrinário. O ápice da esperança cristã é a ressurreição dos justos, especialmente dos que morreram em Cristo.
Mas os tessalonicenses estavam perturbados com o assunto (1Ts 4:13-17). Quando algum cristão morria, eles ficavam em pânico, desesperados, porque criam que o morto não teria parte na vinda do Senhor (1Ts 4:13,14).
2.Elucidando a doutrina. Paulo, então, procurou elucidar essa doutrina, mostrando-lhe que “o morrer é ganho” para o cristão. Este não perde nada; pelo contrário: terá o privilégio de estar primeiro com o Senhor.
3.A convocação dos mortos feita pela voz do Arcanjo (1Ts 4:16). O texto declara que, na vinda de Cristo nos ares, especialmente para a sua Igreja, os mortos em Cristo ouvirão a voz do arcanjo, como uma santa convocação.
4.A participação dos anjos no milagre da ressurreição. Não significa que os anjos produzirão o milagre, mas compartilharão do milagre da ressurreição, no sentido de conduzir, trasladar e convocar os mortos.

III.Os Anjos no arrebatamento dos vivos na vinda de cristo
Como se dará esse evento? Qual o papel dos anjos no arrebatamento?
1.O Senhor Jesus mesmo participará desse evento glorioso. Diz o texto biblico: “O Senhor mesmo descerá do ceu com alarido” (1Ts 4:16). Ele pessoalmente virá ao encontro da sua amada Igreja, como um noivo feliz, preparado e vestido gloriosamente. Esse encontro acontecerá nas regiões celestiais (1Ts 4:17).
2.O arcanjo de Deus terá papel importante nesse encontro. O arcanjo, diretamente ligado ao trono de Deus, terá a missão de convocar todos os remidos de Cristo, vivos e os mortos, para esse importante encontro. À igreja de Corinto, Paulo declarou que o arrebatamento acontecerá “num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta” (1Co 15:52).
3.A voz como de trombeta (1Ts 4:16). Esta expressão reforça a importância da convocação dos remidos, porque era esse o modo de Deus convocar o seu povo. De algum modo, o Espirito que vive na Igreja, fará com que esta identifique o chamado para o grande encontro com Cristo.

IV.Os anjos na manifestação pessoal de cristo na terra
No dia da ascensão de Cristo após sua ressurreição, os anjos confirmaram aos discipulos a promessa de que Ele voltaria pessoal e gloriosamente (At 1:9-12). Na sua volta pessoal, os anjos virão com Ele em exercitos celestiais (Ap 19:14).
1.Os anjos proclamarão os juizos divinos. Um anjo receberá a incumbência de proclamar o juizo divino sobre as nações confederadas pelo Anticristo. O mesmo anjo fará ecoar a sua voz, e as aves de rapina convergirão de todas as partes da terra para “a grande ceia do grande Deus” (Ap 19:17,18). Trata-se de uma ceia de vingança do todo-poderoso contra a impiedade e contra os inimigos de Israel.
2.Os anjos estarão presente no julgamento das nações. Jesus falou desse julgamento no seu sermão escatológico aos seus discipulos (Mt 25:31,32). Será um julgamento inevitável, pois essas nações rejeitaram o dominio de Cristo, preferindo o Anticristo, o “homem do pecado” (2Ts 2:8). Esse julgamento é identificado como a “batalha do Armagedom” (Ap 19:19-21).

V.Os Anjos estarão presentes na consumação dos seculos
Após o julgamento das nações no final da Grande Tribulação, Cristo instalará o seu reino messiânico. Para a concretização desse evento, diz a Biblia que “um anjo forte” receberá ordem para abrir o “poço do Abismo” e prender a Satanás e seus enjos por mil anos (Ap 20:1-3). Então se iniciará uma nova fase de recuperação moral, social, fisica e material.

Questionário
1.Que é o estado intermediario?
2.Como se chama o lugar do estado intermediário?
3.Quem soará a trombeta quando do arrebatamento da Igreja?
4.Qual o papel dos anjos na Grande Tribulação?
5.Quanto tempo Satanás ficará preso no abismo?

(EXTRAÍDO da revista “Lições Bíblicas” Jovens e Adultos – ANJOS uma perspectiva biblica e atual)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

ANJOS uma perspectiva biblica e atual (Parte 10)

DISCERNINDO OS ESPIRITOS ENGANADORES
1Timóteo 4:1-10

Introdução
Indubitavelmente estamos vivendo “nos últimos tempos” da Igreja na Terra. Todos os sinais que precedem a vinda de Cristo para o arrebatamento estão tendo o seu cumprimento cabal. Entre eles, a apostasia da fé promovida por Satanás e seus demônios. Satanás tem comissionado demônios como os “espiritos enganadores”, que se intrometem ardilosamente no meio do povo para enganar. Entretanto, o Espirito Santo revela os ardis e expõe as obras de engano do diabo.

I – Expondo os Espiritos Enganadores à Luz da Palavra de Deus
1.Paulo reforça a revelação do Espirito Santo. Paulo começa declarando: “O Espirito expressamente diz...” O contexto dessa escritura desvenda o “mistério da piedade”. A Igreja é uma demonstração do “mistério da piedade”. Jesus Cristo é a revelação desse “mistério”, mas a Igreja é o seu agente demonstrador. A Igreja está na Terra para sustentar essa revelação contra os poderes do mal. A Igreja é, portanto, “coluna e firmeza da verdade”. Na verdade, são dois os misterios sobrenaturais: o de Deus e o do diabo. Os dois misterios são propagados por agentes humanos. O primeiro opera a salvação, o outro, a condenação. O primeiro é revelado pelo Espirito, na Palavra, para a efetuação da obra salvadora, o outro serve-se de “espiritos enganadores” para desviar as pessoas da salvação.
2.A operação do misterio da injustiça. A expressão “ultimos tempos” equivale a do apóstolo Pedro em sua mensagem no dia de Pentecostes, em Atos 2:17, ao referir-se aos “ultimos dias”. A biblia, em 1Tm 4:1, mostra que Satanás opera e manifesta o mistério da iniquidade nos últimos tempos, quando a operação seria muito mais forte. Os “espiritos enganadores” produzirão prodigios e sinais para impressionar as pessoas. Os espiritos do engano envolverão a muitos e com certa facilidade, e as pessoas envolvidas tornar-se-ão instrumentos de iniquidade e engano sob o comando de Satanás. Os crentes em Cristo sofrerão pressões espirituais tremendas, mas o Espirito Santo irá operar no seio da Igreja, tornando-a apta para enfrentar os espiritos de engano (2Pe 3:1-4; 1Jo 4:1-4).
3.A possessão por espiritos enganadores. O texto de 1Timóteo 4:1-4 indica que os “espiritos enganadores” são demônios que atuam e influem sobre pessoas que se permitem ser usadas por eles. De fato, por alguma forma de sujeição demoniaca, esses espiritos apossam-se de tais pessoas, as quais a Biblia identifica como “homens maus e enganadores...enganando e sendo enganados” (2Tm 3:13; 2Jo 7; 2Pe 2:1). Assim, entendemos que aqueles que se colocam a serviço de Satanás para propagar doutrinas falsas e negar as verdades divinas são, indiscutivelmente, possuidos por esses espiritos demoníacos.
4.A caracterização das atividades dos espiritos enganadores. “Apostasia” significa negação e abandono da fé cristã. O apóstolo, já naquela época, percebia alguns sinais tipicos do ataque sorrateiro dos espiritos de engano. O texto diz que certas pessoas desqualificadas espiritualmente se deixariam levar pelos espiritos enganadores, tornando-se agentes do engano, pois obedeceriam a esses espiritos. Além disso, estariam constantemente sob a influência desses espiritos. Se o “misterio da piedade” é a revelação de Cristo e das doutrinas básicas do Cristianismo, o “mistério da injustiça” é a disseminação das doutrinas de demônios. As doutrinas demoniacas visam interferir e desviar a mente dos cristãos das doutrinas cristãs fundamentais. Os espiritos de engano desenvolviam falsos conceitos de santidade, induzindo os incautos a acreditar que poderiam ser salvos mediante a obediência a esses conceitos. Coisas como a “proibição do casamento” e a “abstinência de alimentos”. Tenhamos cuidado com os defensores de regras carentes de base biblica, os quais desejam dominar os sentimentos e os corações das pessoas por procedimentos antibiblicos.

II.Modos de agir dos espiritos enganadores
1.Eles induzem os cristãos ao auto-engano. Quantos crentes vivem escravizados a certos comportamentos que ofendem ao Espirito Santo, ferem a Palavra de Deus e levam os mesmos crentes a serem enganados por suas próprias ideias.
a) Enganam-se a si mesmos os que ouvem a Palavra e não a praticam. Tiago escreve: “Pelo que, rejeitando toda imundicia e acúmulo de malicia, recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar as vossas almas. E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos” (Tg 1:21,22). Para rejeitar a imundicia e a malicia, o cristão precisa desenvolver sua capacidade de percepção ao perigo. É um erro doutrinario julgar a Palavra de Deus pelas emoções. O correto é sempre julgar nossas experiências pessoais à luz da Biblia. Torna-se enganosa a atitude daqueles que criam doutrinas pseudo-espirituais baseadas em palavras de profetas ou visionários, ou pela interpretação isolada de textos das Escrituras. Os espiritos enganadores procuram seu ponto de apoio em mentes vulneráveis ao auto-engano.
b) Enganam-se a si mesmos os que se colocam acima do pecado. Diz o apóstolo João: “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós” (1Jo 1:8). O autor não está se referindo à pena do pecado de outrora, da qual o cristão já foi perdoado no Calvário, mas à condição presente. Porém, independente da nossa condição de salvos da pena do pecado, ainda há em nós o estigma do velho homem, que precisa ser dominado diariamente. Por isso ninguém pode negar a condição de pecador, ainda que remido. Se dissermos que não temos pecado, somos vitima do auto-engano. Entretanto, se pecarmos, também temos o sangue de Jesus Cristo, que nos purifica de todo o pecado (1Jo 1:7). Mas devemos estar atentos, porque é neste ponto que os espiritos enganadores induzem o crente a enganar-se a si mesmo.
c)Enganam-se a si mesmos os que acham que não colherão o que semearam. Quando um cristão tem consciência da lei da semeadura, ele toma precauções com o tipo de semente que plantará durante sua vida. Paulo escreve aos gálatas o seguinte principio: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6:7). Nossa mente pode tornar-se um campo aberto para as incursões do inimigo, que lançará sementes daninhas e perniciosas quando estivermos descuidados. Jesus ilustra muito bem esse principio na sua parabola acerca do joio (Mt 13:24-30). Às vezes pensamos que o principio da semeadura não é para nós, crentes. Mas isto pode ser um auto-engano, pois o que semearmos certamente colheremos (Gl 6:8). Quando o rei Davi pecou, mesmo tendo sido posteriormente perdoado, não pode evitar as consequencias danosas das sementes más que havia plantado (2Sm 11; Sl 51:1-19).

2.Eles promovem falsos ensinadores no meio do povo de Deus. O apóstolo Paulo declara que esses espiritos de engano atuam sobre “os filhos da desobediência” (Ef 2:2), uma referência aos cristãos nominais dominados pelos impetos da carne, que mais facilmente assimilam doutrinas de demônios. Paulo não está afirmando que tais pessoas falam sobre demônios, mas que ensinam doutrinas de demônios. Essas pessoas se constituem agentes diretos dos espiritos enganadores. Sob a influência do espirito do erro, elas fazem desviar da fé cristã os irmãos frágeis levando-os a aceitar doutrinas demoniacas. Suas consciências ficam cauterizadas, e por isso não tem nenhuma sensibilidade ao Espirito de Deus. Sob o manto da hipocrisia, cultivam uma falsa aparência de religiosidade e ensinam mentiras acobertadas por falsos conceitos cristãos.
a) Cuidado com os falsos profetas. Geralmente, esses falsos ensinadores se escondem atrás da máscara de falsas profecias. O apóstolo Paulo teve o cuidado de ensinar sobre o assunto, com estas palavras: “Não extingais o Espirito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem. Abstende-vos de toda a aparência do mal” (1Ts 5:19-22). Ora, não devemos menosprezar as profecias, mas precisamos ter o cuidado de só aceitar a profecia que tenha base na Palavra de Deus. A falta de uma convivência mais seria e racional com a Palavra tem tornado as igrejas locais muito vulneráveis aos espiritos enganadores. É triste quando percebemos igrejas e ministros dirigidos por pseudoprofetas tratados como superiores à própria Palavra de Deus. É tempo de colocarmos esse “dom de profecia” na sua verdadeira perspectiva eclesiástica e biblica.
b) Provai os espiritos. Precisamos aprender a discernir o fato e o verdadeiro. Paulo ensina que devemos “provar os espiritos”, para ver se são de Deus ou não (1Jo 4:1). O apóstolo João já percebia em sua época a ameaça dos falsos ensinadores que se abrigavam no seio da igreja e, com fingida espiritualidade, introdiziam falsas doutrinas – doutrinas de demônios. Toda doutrina precisa ser testada à luz do ensino geral das Escrituras, e não segundo ideias particulares de quem quer que seja. Se alguém se diz autorizado pelo Espirito Santo a ensinar qualquer coisa, sem o respaldo da Palavra, o mesmo deve ser provado. Por isso a Biblia ordena: “Provai se os espiritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se tem levantado no mundo” (1Jo 4:1).

Questionário
1.Quanto ao “mistério da piedade”, em que consiste a revelação deste, e quem é o seu agente demonstrador?
2.Através de quem Satanás trabalha para desviar as pessoas da salvação.
3.Como a biblia identifica as pessoas possuidas por espiritos enganadores?
4.Se o “mistério da piedade” é a revelação de Cristo e das doutrinas básicas do Cristianismo, o que vem a ser o “mistério da injustiça”?
5.Quais as duas precauções que devemos tomar contra os falsos ensinadores?
(EXTRAÍDO da revista “Lições Bíblicas” Jovens e Adultos – ANJOS uma perspectiva biblica e atual)

ANJOS uma perspectiva biblica e atual (Parte 09)

SATANÁS, O AGENTE DA TENTAÇÃO
Mateus 4:1-11

Introdução
No texto base de nossa lição, temos o relato da tentação de Jesus. Nesta luta, o Senhor saiu-se como o grande vencedor, mostrando-nos que, se lhe seguirmos o exemplo, obteremos vitórias igualmente espetaculares.
I – A Tentação de Jesus – Mt 4:1-11
O autor da Epístola aos Hebreus (4:15) diz que Jesus foi tentado em tudo. Essa declaração parece chocar-se com a lógica da Divindade, uma vez que é impossivel que Deus seja tentado ou submetido a tentação. Porém, devemos analisar essa declaração sob a ótica cris-to-lógica que destaca as duas naturezas de Cristo, a divina e a humana.
1.Ele foi tentado em tudo (Hb 4:15). Jesus foi tentado como homem e não como Deus. Era a encarnação do verbo Divino que assumiu completamente a humanidade em seu ser. Ele não era meio-Deus nem meio-homem. Ele era cem por cento Deus e cem por cento homem. Ao despir-se de sua glória divina, Ele submeteu-se a toda experiência humana como homem completo, e foi como tal que ele foi tentado pelo diabo no deserto.
2.Ele venceu a tentação em sua essência. A tentação vem de fora, mas a sua essência pode estar profundamente arraigada no coração das pessoas. A diferença entre Jesus e nós era que Ele não herdou a natureza pecaminosa que herdamos de Adão e Eva. Jesus foi gerado pelo Espirito Santo, mas tinha um corpo como nós. Mas Ele venceu para que também vencêssemos.
3.Por que Jesus foi tentado pelo diabo? John Broadus, em seu comentário de Mateus, página 123, responde a essa questão da seguinte maneira: “(1) Ele daria, pela tentação, prova de sua verdadeira humanidade, de que possuia uma alma humana. (2) Seria parte do seu exemplo a nós. (3) Faria parte de sua disciplina pessoal. (4) Faria parte de sua preparação para ser um intercessor compassivo (Hb 2:18; 4:15). (5) Era parte da grande batalha na qual “a semente da mulher pisaria a cabeça da serpente” (Gn 3:15).
Ao tentar Jesus, o diabo queria convencê-lo a desistir ou a adiar sua missão. O tentador sabia qual era a missão de Jesus, por isso, procurou criar-lhe situações embaraçosas, tentando levá-lo a empregar meios contrarios ao plano divino. Jesus, contudo, não cedeu a nenhuma das insinuações satânicas. Ele não fraquejou, nem tomou atalhos para cumprir sua missão. Do mesmo modo, somos tentados a provocar a ira de Deus e a pecar contra a sua vontade soberana, mas devemos resistir firmes na fé (Tg 4:7; 1Pe 5:8,9).
4.Jesus foi tentado no deserto. Ao final dos 40 dias e 40 noites no deserto, Jesus estava fraco fisicamente. Ele necessitava alimentar-se. O diabo percebendo esse fato, entendeu que seria uma boa oportunidade de induzir a Jesus a pecar contra o Pai. Vendo muita pedra naquele deserto, o diabo procurou despertar em Jesus os instintos basicos do ser humano. As pedras facilmente provocariam a imaginação de um homem faminto. Ele poderia produzir um milagre de transformação daquelas pedras em pão, mas resistiu ao diabo: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4:4).
Ao colocar em dúvida a identidade divina de Jesus com um “SE”, o diabo estava tentando obrigar a Jesus a mudar o curso da ordem natural das coisas, induzindo Jesus a desobedecer ao Pai. Quantas vezes as nossas tentações começam com um “se” de dúvida, de indução maldosa a prática de coisas impróprias.
5.Jesus foi tentado no pináculo do templo (Mt 4:5,6). Uma das armas do diabo é o orgulho, por isso, tentou provocar tal sentimento em Jesus. Mas esse sentimento não estava no coração de Jesus, porque Ele não herdara a natureza caida de Adão. O diabo queria que Jesus se lançasse do pináculo do templo para que fosse amparado pelos anjos, ocasionando assim a ira do Pai, por estar desviando o curso normal das coisas. Mas Jesus respondeu-lhe imediatamente: “Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus” (Mt 4:7). Aprendemos com esta tentação de Jesus que devemos ter sempre em mente o senso da vontade de Deus. Nada devemos fazer que contrarie a soberana vontade do Pai Celeste.
6.Jesus foi tentado no alto monte (Mt 4:8-10). Levado a um alto monte onde se podia ver os reinos da terra, o diabo mentirosamente se disse dono de tudo. Ele sabia que havia promessas messiânicas de um reino universal onde Jesus seria o Rei. O diabo sabia, também, que Israel aguardava a restauração do reino, e que o Messias prometido se assentaria no trono de Davi. Jesus era o Rei prometido e esperado. Se Ele cedesse as provocações satanicas, certamente prejudicaria todo o plano divino.
É assim que Satanas opera em nossos dias. Ele procura compelirnos a galgar lugares e posições fora de tempo, a tomar decisões precipitadas e, acima de tudo, a contrariar a vontade de Deus.

II.A Tentação na perspectiva Bíblica
A distinção entre o conceito de tentação e a prática do pecado é perfeitamente clara na Biblia. Se “Jesus foi tentado em todas as coisas, a nossa semelhança” (Hb 4:15), temos de admitir que estaremos neste mundo expostos a tentação. Se ele foi vencedor e não pecou, nós tampouco temos de pecar (1Co 10:13). Por isso, devemos enfrentar o diabo, repudiando-o e refutando suas insinuações.
1.Identificando a base das tentações. Adão e Eva cederam a tentação da “antiga serpente”. O seu pecado trouxe a morte fisica e espiritual. O apóstolo Paulo escreveu aos efésios sobre o estado espiritual da humanidade como estando morta em relação a Deus (Ef 2:1). Essa morte espiritual neutralizou o relacionamento do homem com Deus. Por esta razão, o homem foi desenvolvendo padrões de pensamento e conduta centrados na satisfação do ego. Porém Cristo mudou o curso da vida humana, oferecendo um novo padrão de vida mediante a obra expiatória no Calvário (2Co 5:17).
2.A natureza carnal, campo de atração das tentações. É a “carne” o inimigo que faz o crente tropeçar e viver em acirrado combate, impedindo-o de manter uma vida de santificação. Não se trata do aspecto fisico da carne, mas diz respeito aquela inclinação para a prática de obras más. A “natureza carnal” é o campo de ação do diabo.
A essência da tentação é a tendência ou inclinação para se satisfazer ilicitamente as necessidades fisicas e psicologicas do ser humano. Devemos entender que toda tentação é um convite para se viver independente de Deus.
3.A sedução da tentação. Por que sedução? Porque essa é a forma mais discreta de o diabo induzir-nos ao pecado. As tentações não vem sobre nós para que cometamos pecados como estupros, roubos, assassinatos etc. Geralmente o diabo nos tenta com as coisas que a nossa natureza carnal deseja. Ate onde vai a minha liberdade em Cristo?
Lamentavelmente, muitos cristãos entendem que, por causa da liberdade cristã, estão livres para fazerem o que bem quiserem. Entretanto, não é por esse caminho que ficaremos livres do pecado (Rm 6:14-23).

III.As vias pelas quais somos tentados
há pelo menos três vias de acesso as tentações. Essas vias se manifestam através da natureza pecaminosa do ser humano; são as avenidas que atraem o pecado. Essas três vias estão identificadas na Biblia como: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, conforme a escritura de 1Jo 2:15-17.
1.A primeira via: Concupiscência da carne (1Jo 2:16). Foi através dessa via que Satanás procurou seduzir Jesus quando o Senhor Jejuava no deserto. O desejo da sua carne era comer pão, pois Ele estava há 40 dias sem comer nada. Mas Jesus não se deixou dominar pela sedução de Satanás, vencendo-o pelo poder da Palavra de Deus (Mt 4:3).
2.A segunda via: A concupiscência dos olhos (1Jo 2:16). Por essa via, Satanás conseguiu enganar Adão e Eva. Gênesis 3:1-12 relata de modo claro os passos que levaram o casal a se tornar escravo dos apetites da natureza terrena. (1) Olhou - “vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, e agradavel aos olhos” (Gn 3:6). (2) Desejou - “asrvore desejavel para dar entendimento” (Gn 3:6). (3) Tomou - “tomou do seu fruto” (Gn 3:6). (4) Comeu - “tomou do seu fruto e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela” (Gn 3:6). (5) Morreu - “no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2:17). O fruto proibido parecia-lhes delicioso, mais que todos os outros. Satanás aguçou-lhes esse desejo pelos olhos.
3.A terceira via: A soberba da vida (1Jo 2:16). Por essa via, Satanás procura tentar-nos a sermos independentes de Deus. Ele seduziu a mente de Adão e Eva a desejarem conhecimento superior ao que já tinham: “Vossos olhos se vos abrirão e, sereis como Deus, sabendo o bem e o mal” (Gn 3:5).
Era uma oferta de Satanás para induzir o primeiro casal ao mesmo erro que ele, o diabo, cometera ao ser expulso da presença de Deus. É um perigo quando o crente acha que não precisa de Deus, e que pode resolver seus problemas sozinho.

Conclusão
Qual o meio de escape das tentações? Talvez não consigamos evitar as tentações, mas podemos neutralizá-las mediante uma vida de oração e consagração a Deus. O apóstolo Paulo nos esclarece que “não sobreveio tentação sobre vós, senão humana; mas fiel é Deus, que vos não deixará tentar acima do que podeis suportar” (1Co 10:13).

Questionário
1.O que diz o autor de Hebreus em 4:15?
2.Qual a diferença entre Jesus e nós?
3.O que nos ensina a tentação de Jesus?
4.O diabo poderia dar a Jesus o que lhe prometeu quando da tentação do deserto?
5.Pode o crente sozinho vencer a tentação?
(EXTRAÍDO da revista “Lições Bíblicas” Jovens e Adultos – ANJOS uma perspectiva biblica e atual)

ANJOS uma perspectiva biblica e atual (Parte 08)

CONFRONTANDO OS DEMÔNIOS NA EXPERIÊNCIA CRISTÃ
Romanos 8:31-37

Introdução
O ensino sobre a demonologia não pode ser relagado ou tratado secundariamente, pois o assunto está em evidência na experiência humana. Nesta lição, mostraremos as várias formas de atuação demoniaca na vida da humanidade e o ataque as verdades biblicas.
I – Confrontando os Poderes das Trevas
Por comodismo religioso ou por medo de admitir a realidade do confronto espiritual, muitos crentes evitam falar no assunto. Ao agirem dessa forma, não percebem que estão favorecendo o esquema satânico.
1.O que significa esse confronto. Inevitavelmente estamos numa operação de guerra espiritual e a vitória só é possivel mediante a consciência de que “somos mais que vencedores, por aquele que nos amou” (Rm 8:37). Nessa confrontação espiritual, não pode haver espaço para descuidos e “pouco caso” com o inimigo. Lamentavelmente, há um perigo camuflado na mente de muitos cristãos que é o de ignorar o diabo. Tratam-no como se este não representasse nenhuma ameaça. A biblia nos ensina a estar alertas para as suas investidas maldosas, porque o diabo e seus demônios são perigosos e traiçoeiros.
2.Confrontando os espiritos territoriais. A expressão “espiritos territoriais” não é muito comum em nossos dias, mas a sua realidade é tão velha quanto a Biblia. Esta expressão esta inserida no contexto escrituristico de Efésios 6:12; Cl 1:16; Dn 10:13,20.
Os demônios (anjos caidos) se espalham pelo mundo sob o comando de Satanás e procuram impedir o conhecimento acerca de Deus. Na segunda Epistola aos Corintios (2Co 4:4). Paulo declarou que o diabo, denominado “deus deste seculo”, cegou o entendimento dos incredulos para que não vejam a luz do Evangelho. Somente essa gloriosa e poderosa luz do Evangelho tem poder para libertar as criaturas humanas dos poderes das trevas.
3.Espiritos territoriais estabelecidos em pontos geográficos estratégicos. Há uma classe de demônios que se estabelecem em pontos geograficos estrategicos, invadindo a vida de nações, de governantes e de pessoas ignorantes para que não conheçam a Deus. O diabo e seus demônios não respeitam bandeiras, nem vontades; eles simplesmente invadem e procuram dominar com os poderes das trevas.
4.Exemplo biblico de espirito territorial. Quando o profeta Daniel orava a Deus pelo seu povo no exilio babilônico, dois “espiritos territoriais” identificados como “o principe do reino da Pérsia” e o “principe da Grécia” procuraram impedir que o anjo de Deus, Gabriel, descesse para ministrar a Daniel (Dn 10:13,20). Esses principes referidos não eram os governantes fisicos da Pérsia e da Grécia, mas eram demônios com poderes de “principados” na hierarquia satânica.

II – Confrontando as Formas de Ação dos Demônios
Existem varias formas de ação demoniaca contra os seres humanos. Lamentavelmente tem havido muito debate sobre as atividades dos demônios em relação ao mundo e a Igreja de Jesus Cristo. Ate onde os demônios podem atingir os cristãos verdadeiros? Pode um crente nascido de novo ficar possuido por demônios? Responderemos a essas questões pela Palavra de Deus.
1.Os demônios se opõem ás obras de Deus. Satanás comanda seus demônios aliados contra todas as obras de Deus, especialmente a humanidade. Eles usam de muitos artificios para enganar e induzir a criatura humana contra o seu Criador. Satanás é inimigo declarado do Deus Criador e depois do homem (Zc 3:1; 1Pe 5:8). Sua oposição é feita de modo ostensivo porque uma das carateristicas de Satanás é o de “acusador” (Ap 12:10). Na esfera das acusações, ele tenta lançar o homem contra Deus, como o fez contra Jó (Jó 1:9,11; 2:4,5).
2.Os demônios influenciam as pessoas. Como acontece a influencia demoniaca? Nesse nivel, os demônios exercem poder sobre uma pessoa sem possui-la. Significa a indução para práticas que fogem aos principios basicos da vida moral e ética. Mesmo um cristão nascido de novo pode ser influenciado em sua mente por agentes espirituais demoniacos, uma vez que sua vida fisica esta na dimensão da “carne”.
3.Os demônios podem manter as pessoas sob sujeição. Nesse nivel, a pessoa que estiver sob sujeição demoniaca estará escravizada ao poder dos demônios, no sentido de fazer o que eles quiserem. Um dos exemplos tristes e trágicos sobre sujeição demoniaca é o caso de Judas Iscariotes. O diabo descobriu a fraqueza de caráter de Judas Iscariotes, e colocou no seu coração um sentimento de traição e avareza (Jo 13:2).
4.Os demônios oprimem as pessoas. A despeito de salvo é fato que os cristãos são alvos constantes do ataque de Satanás. Pode um cristão fiel a Cristo ser oprimido pelo diabo? Temos no Antigo Testamento a experiência de Jó. Homem fiel a Deus e de comportamento exemplar, mas por permissão divina, Jó foi oprimido pelo diabo. De igual modo, o diabo pode nos oprimir, se Deus o permitir. Na verdade, Deus não tem prazer no sofrimento de ninguém e, muito menos, dos seus servos fiéis. Porém, os designios divinos alcançam uma dimensão muito superior a nossa capacidade de compreender esses designios.
5.Os demônios podem invadir e possuir as pessoas. A possessão demoniaca manifesta-se na invasão da personalidade de uma pessoa; o corpo desta, então, é habitado por um ou mais demônios e estes passam a ter o controle total da vida da pessoa. Todo o seu ser, espirito, alma e corpo, é dominado pelo diabo. Até mesmo a aparencia fisica da pessoa possessa é afetada no modo de andar, nos movimentos faciais etc. Atitudes irracionais são praticadas sem nenhuma consciência de ser e fazer. Nos dias do ministério de Jesus na terra, foi trazido a sua presença um menino endemoninhado, o qual rangia osd dentes, espumava pelos cantos da boca, fazia caretas, lançava-se na agua e no fogo. Eram atitudes destrutivas e irracionais ate que Jesus expulsou o espirito que o possuia (Mc 9:17-27).

III – Pode um Cristão Autêntico Ficar Endemoninhado?
1.Modismos doutrinários perigosos. Entre as perigosas conceituações doutrinárias tem sido espalhada a ideia de cristãos endemoninhados. Sera que uma pessoa nascida de novo pode ser possuida por demônios? Duas verdades são importantes neste contexto. Primeiro, um cristão estará seguro enquanto permanecer em Cristo. Segundo, temos evidência biblica de que um cristão por própria vontade pode afastar-se de Cristo, tornando-se vulneravel à ação dos demônios. Alguns teólogos modernos tem ensinado que alguns crentes podem receber no seu interior algum demônio. É inaceitavel essa ideia porque é impossivel que o Espirito de Cristo conviva com um demônio num mesmo coração. Ou Cristo ou o diabo; nunca os dois.
2.Erros doutrinários que devem ser corrigidos. A idéia de que um cristão nascido de novo pode ficar endemoninhado é absurda e perigosa. Por essa e outras ideias semelhantes se criaram falsas doutrinas, as quais devem ser aclaradas e corrigidas.
a) Há um conceito torcido e vago acerca do que significa ser cristão autêntico no meio evangelico. A segurança do cristão torna-se tão invulnerável que a obra de Cristo perde o seu valor salvifico. É como se a obra de Jesus não tivesse sido completa. Temos que ter o cuidado para não adotarmos a teoria de “uma vez salvo, salvo para sempre”. Essa teoria é um terrivel corrosivo na vida cristã, porque da uma falsa ideia de segurança. A salvação é preciosa e não se perde por coisas banais, mas é necessário cuidar dela enquanto estivermos neste mundo, porque podemos perdê-la.
b) Outro erro grave de interpretação é ensinado quanto as obras da carne, as quais são chamadas de demônios. Nominar os demônios por adultério, fornicação, inveja, ciúme, mentira e outros nomes listados como obras e não como espiritos é o mesmo que elogiar os demônios. Eles podem influenciar, induzir ou provocar situações que despertem essas “concupiscências da carne”, mas esses espiritos imundos não tem esses nomes ou titulos. Se as “obras da carne” fossem espiritos imundos que vivem dentro das pessoas sob o seu dominio, tambem teriamos que admitir que as obras do fruto do Espirito seriam espiritos bons. Sabemos que isto é impossivel, visto que os anjos de Deus não habitam nos homens.
IV.A Autoridade sobre os Demônios
A fonte da autoridade espiritual do cristão está na Biblia. O crer e o viver em Cristo dão ao cristão o poder necessário para ter vitória sobre o mal. Devemos tomar posse da autoridade outorgada por Cristo para resistir o mal e expelir os demônios. É bom lembrar que o poder de Cristo é sempre maior e superior aos poderes do diabo, Jesus outorgou autoridade espiritual em suas palavras finais depois da ressurreição antes de ascender aos ceus: “Estes sinais seguirão aos que crerem: em meu nome expelirão os demônios” (Mc 16:17).
1.Tome posse da autoridade sobre os poderes do mal. No Evangelho de Lucas, temos um episódio em que Jesus convocou os 12 discipulos e lhes deu autoridade e poder para curar enfermos e expelir demônios (Lc 9:1). Posteriormente, Jesus repetiu a mesma ação convocando 70 discipulos, os quais sairam e voltaram regozijando-se, porque os demônios se lhes submetiam no nome de Jesus (Lc 10:1,17). Essa autoridade foi outorgada à Igreja pós-Pentecostes e por onde andavam os discipulos de Jesus, agora cheios do Espirito Santo e sem a presença fisica do Mestre, sinais e prodigios, libertação de oprimidos e possessos iam acontecendo. Eles tinham poder e autoridade.
2.A autoridade do Nome de Jesus. O nome de Jesus tem peso e autoridade quando usado por um cristão autêntico. É um nome que revela a superioridade de Jesus acima de todos os nomes. Paulo escreveu que “Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos ceus, na terra e debaixo da terra” (Fp 2:9,10). A vitória de Cristo na batalha do Calvário lhe deu esse direito.

Conclusão
Esta lição nos ensina como lidar com os poderes demoniacos e como vencê-los. Usemos, pois, a autoridade espiritual que nos entregou o Senhor Jesus.

Qustionário
1.Por que a demonologia não pode ser ignorada?
2.O que diz Romanos 8:37?
3.O verdadeiro cristão pode ficar endemoniado?
4.Em que reside nossa autoridade sobre os demônios?
5.Onde se encontra a fonte da autoridade espiritual do cristão.
(EXTRAÍDO da revista “Lições Bíblicas” Jovens e Adultos – ANJOS uma perspectiva biblica e atual)